Crítica: Janelle Monáe – “Dirty Computer”

JanelleO momento não poderia ser mais oportuno para a norte-americana de nome francês, Janelle Monáe, que lançou seu mais novo disco nesta última sexta-feira (27), e este já é um dos mais bem avaliados do site Metacritic, 

Assim como “Lemonade” de Beyoncé e “How Big, How Blue, How Beautiful” de Florence, o “Dirty Computer” é um álbum visual. Dirty Computer: An Emotion Picture, que aborda aquele tema que nós adoramos odiar: Distopia.

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A obra visual conta a história de “Jane 57821” (interpretada por Janelle), uma mulher que vive em uma sociedade capitalista, totalitária e muito mente fechada. Nesta realidade as pessoas são resumidas a números e são chamadas de “computers”. Logo no início do filme a personagem de Janelle é chamada de “computador sujo”, esse que precisa ser “reiniciado”, e a história se desenvolve a partir das lembranças de Jane. Nessas memórias nós conseguimos entender o motivo do termo “computador sujo” que é usado para se referir à Jane 57821.

Com as participações de Brian Wilson, Grimes, Pharrell Williams, Tessa Thompson e Zoë Kravitz, o filme já conta com mais de 600 mil visualizações no Youtube. Este foi dirigido por Andrew DonohoWestenberg e Lacey Duke.

Confira o Dirty Computer: An Emotion Picture By Janelle Monáe:

Agora falando sobre o álbum. Este conta com 14 faixas, que se encaixam perfeitamente uma na outra, criando uma narrativa contínua, assim como acontece em “The Wall” de Pink Floyd. Obviamente as canções são usadas para contar a história que é desenvolvida no filme.

Sua sonoridade viaja entre o Pop, o R&B, Hip-Hop e o Blues. Em contraste com o tema “futurista” , D.C tem um clima bem oitentista, desde o uso de seus instrumentos até a junção dos ritmos. Janelle quis investir em algo voltado à cultura negra, de forma clássica, para compor seu disco, que aborda temas tão amplos sobre diversidade.

Sendo um disco interpretado e produzido por uma jovem LGBTQ+, dentro de uma narrativa distópica, é mais do que certo uma grande pitada de militância. Janelle disse em entrevista que seu álbum é dedicado a todos que sofrem repressão ou bullying por serem diferentes. “Eu quero que jovens garotas, jovens garotos, não-binários, gays, heteros, pessoas queer que ainda estão descobrindo sua sexualidade, saibam que eu consigo vê-los”, diz a cantora.

Dirty Computer é aberto com uma intro, faixa-título, que fala sobre um computador quebrado, esse que precisa de um conserto diferente, o amor. Já em “Crazy, Classic, Life“, segunda faixa do disco, ela fala abertamente sobre a brutalidade policial e a diferença social que a população negra ainda vive.

A cantora deu algumas informações sobre a essência do disco, e em determinada entrevista nos levou a entender que esse é muito mais confessional e intimista do que qualquer outro trabalho de sua carreira.  Uma faixa que me chamou bastante atenção é “DJANGO JANE”, que faz uma ponte entre seu presente seu passado, e tudo o que ela conquistou e ainda quer conquistar.

O disco ainda tem diversas outras abordagens militantes, sobre poder feminino, diversidade, machismo, mansplaining e liberdade sexual. Não é atoa que todas as faixas são explícitas. As letras tratam os sentimentos humanos como programações, como se metáforas fossem, tratando as futilidades sociais, literalmente, como superficialidades. Assim ela explica o sexo sem compromisso, por exemplo.Resultado de imagem para janelle monae dirty computerEm tempos de passeatas nazistas e guerras, uma negra produzindo música popular, ganhando prêmios importantíssimos dentro de uma carreira de feitos tão incríveis, é algo realmente de se admirar e divulgar. Dirty Computer não é apenas mais um disco, mas já é considerado um dos melhores discos do ano, desde o “Melodrama” de Lorde, que reinventou a música Pop.

O álbum possui letras fortes, que usam e abusam da ironia para construir uma narrativa, ao mesmo que triste, muito intensa e divertida de ser acompanhada. Músicas incríveis e instrumentais inesquecíveis. Dirty Computer tem um clima tão único que se torna quase que um clássico do R&B.

É realmente importante e admirável ter uma mulher negra no topo, fazendo sucesso até mesmo fora do cenário musical. Muito bom saber que enquanto temos IZA fazendo sucesso com seu debut, os americanos tem Janelle para lhes dar um pouco de alegria com suas músicas.

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Nota: ✪/5.

Ouça na íntegra:

Download:

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