Crítica: Arctic Monkeys – “Tranquility Base Hotel + Casino”

arctic monkeys

Após aproximadamente cinco anos sem lançar absolutamente nada, a banda britânica de Indie Rock, que virou influência entre os jovens tristes, Arctic Monkeys, lançou seu mais novo álbum. Esse na verdade foi vazado alguns dias antes, mas a gente ouve pelo Spotify mesmo assim. O disco se chama “Tranquility Base Hotel + Casino”, e seu lançamento oficial ocorreu hoje, sexta-feira (11). A produção do álbum é assinada por Alex Turner e James Ford.

Um dos diretores da Sony deu uma declaração sobre o disco, antes do mesmo ser lançado, esse disse que T.B.H.C é mais uma “obra de arte” de Alex Turner, logo vamos descobrir se tal frase é verdade ou não.

Em entrevista para a Mojo, Turner deu uma polêmica declaração dizendo que o disco teria poucas guitarras presentes em suas faixas. De fato o que mais está em evidência neste trabalho são o piano, a bateria, o sintetizador e as marcações do contra-baixo, mas ainda sim há a presença de alguns outros instrumentos.

O nome do álbum e a capa se encontram em perfeita harmonia com suas músicas, uma vez que a arte é um tanto quanto interessante, porém sem um sentido concreto, e o nome remete às músicas ambiente de hotéis e cassinos. Vale enfatizar que seu lançamento ocorreu de forma direta, sem single promocional ou algo parecido. Nos levando a entender que o conceito do álbum está nele todo, e não algumas músicas separadas.

A parte sonora, ou seja o mais importante de tudo, é um tanto quanto diferente do que estamos acostumados a ouvir dos macacos árticos. O disco pode ser tudo, mas com certeza não é o “Indie Rock” característico da banda. Está mais para uma grande, e bela, mistura de Blues e Jazz, com uma pegada bem leve de R&B. De forma resumida e bem direta, é como se assumissem o papel de uma banda de bar. O tipo de música que tocaria dentro de um restaurante de hotel muito chique. Não significa, em momento nenhum, que é algo ruim.

Em alguns momentos soa como Elvis, em outros como Beatles ou Pink Floyd, mas repito: bem de leve, só chega a lembrar mesmo. Enquanto ouvia, só consegui assemelhar com a antiga banda “Big Brother and the Holding Company“, mas ainda seria besteira compará-los.

Em entrevista para a “Entertainment Weekly”, Turner disse que ficaria preocupado se nada tivesse mudado, já que fazem cinco anos desde o aclamado “AM”.

De fato, muita coisa mudou, já que este está mais para um disco solo de Alex Turner, assim como “The Final Cut” foi considerado trabalho solo de Roger Waters, com o resto da banda presente apenas para acompanhamento musical.

Até mesmo na questão das letras, parece que o vocalista tem realmente algo muito importante para nos dizer. Composições realmente embaralhadas, como se escritas ao efeito de alucinógenos. Turner aborda diversos temas pessoais e inter-pessoais, como sua vida dentro da fama, ou como este lida com suas ambições que mudam a cada momento de sua história.

Na faixa “American Sports“, por exemplo, de primeira vista parece que o compositor fumou um baseado e deu uma de Renato Russo. A música descreve uma sociedade distópica que mora na lua e compara suas obsessões com os moradores da terra do passado. Sua ideia é mostrar a futilidade dos problemas futuros, que serão cada vez menos intensos.

Segundo o vocalista, “Golden Trunks” é o mais perto de uma canção de amor que iremos encontrar dentro do disco. Essa é uma mistura de sensualidade, com sentimentalismo e futurismo em relação ao, também, relato distópico descrito durante a letra.

Pela faixa título, concluímos que a ideia principal do disco é criar um ambiente onde faça sentido expressar tantas opiniões desmembradas.

Suas letras parecem sair de um disco de Heavy Metal de 2005, que fala sobre diversos assuntos óbvios, mas com composições tão complexas que fica difícil de se chegar à uma conclusão óbvia. Seria besteira tentar analisar um disco tão ácido e completo na primeira vez que o ouço, logo deixo para vocês o ouvirem e tirarem suas próprias conclusões.

Em geral, falando sobre a mudança de estilo, é um disco que marca uma nova fase, tanto na história da banda, quanto da música. Tranquility Base Hotel + Casino veio para ser um marco na música alternativa, e provavelmente será uma referência para muitos trabalhos futuros. É uma obra de arte? sim, mas abstrata, onde há a necessidade da interpretação pessoal de cada um.

Nota: ✪/5.

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2 comentários sobre “Crítica: Arctic Monkeys – “Tranquility Base Hotel + Casino”

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