Crítica: Björk – “Utopia”

Após se lamentar por conta de seu divórcio, Björk foca na esperança criando uma linda utopia que serve de metáfora para seus sentimentos e o atual estado do mundo

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Lançado pela “One Little Indian Records”, Utopia, que conta com 14 faixas, é o décimo álbum da cantora, compositora e artista visual islandesa, Björk. Seu lançamento ocorreu em Novembro de 2017, sendo produzido pela própria cantora em conjunto do compositor e DJ Arca.

Indo em contraponto ao seu álbum de 2015, “Vulnicura”, que conta com uma grande quantidade de instrumentos de corda, como baixo, violoncelo, violino, viola, além da bateria e do sintetizador, que juntos viram uma espécie de orquestra digital. “Utopia” tende mais para a música ambiente, tendo ao mesmo tempo a grande presença da flauta e da harpa, violoncelo e contrabaixo, mas com sons de pássaros venezuelanos e o vento.

Uma verdadeira orquestra ambiental dedicada à natureza. Os vocais de
Björk são bem leves, mas em certos momentos a cantora usa de seus agúdos de forma teatral para simbolizar certos sentimentos que gritam no peito. Sua voz é um instrumento importante para a composição da obra, sendo diluída junto ao arranjo. O resultado final é um espetáculo que nos remete à cultura oriental, mas com picos de nostalgia.

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Apelidado pela própria Björk, em entrevista à Dazed, como o seu “álbum Tinder”, Utopia é seu aviso de superação ao mundo. Sua forma de dizer que tudo o que se passou na época de “Vulnicura” (seu divórcio com o artista Matthew Barney), já tinha ficado para trás. Mas claro, isso é uma mensagem parcial do disco. A faixa “The Gate” explica isso com a frase “Minha ferida no peito se curou, transformando-se em uma porta”, nos introduzindo ao mundo de Utopia e ao mesmo tempo falando sobre sua transição de tristeza para tranquilidade.

O disco carrega mensagens simples, transformadas em complexas composições sobre amor, carinho, a atual realidade social, a sociedade em que vivemos e muito mais. Björk transforma tudo isso em uma utopia alienígena. Essa ideia de criar um mundo perfeito, que mescla a natureza à tecnologia, também serve para explicar o fascismo que existe dentro de nós, com toda a nossa vontade de fazer com que todos hajam de acordo com o que queremos.

“Arisen My Senses” é a faixa de abertura do álbum, responsável por nos inserir nesta linda realidade criada por Björk. A mensagem por trás da faixa fala sobre quando nos conectamos com alguém de maneira tão profunda, que todos os nossos sentidos se ligam ao mesmo tempo.

“Blissing Me”, focada um pouco mais no meio social, fala sobre as relações virtuais que andam crescendo sem parar, separando as pessoas, ao mesmo tempo que as une. É uma balada muito linda.

“Courtship” fala sobre quando estamos no processo de superação, mas nos envolvemos com alguém e então o magoamos, criando um ciclo de mágoas.

“Tabula Rasa” é seu pensamento sobre o atual governo. É um hino empoderador feminino, que fala sobre nos desconstruirmos e sobre a manipulação e como temos de ter nossas próprias opiniões.

“Saint” apresenta um pouco de seu lado religioso, falando sobre uma entidade feminina, que no final entendermos ser a própria canção e seu poder de cura sobre a alma.

“Future Forever” fecha o álbum com um instrumental de sintetizador neutro, criado para soar como um órgão, e a voz de Björk é o que guia a melodia. Sua letra nos convida à viver nesse universo utópico criado pela cantora, nos incentivando, na verdade, a sermos pessoas melhores.

Considerações finais: “Utopia” trata-se da passagem da tristeza para a felicidade, mas com alguns picos entre um e outro. Björk, claramente, ainda sofre por sua separação, mas prefere seguir a diante, ao invés de se lamentar. Uma grande prova disso é a faixa “Sue Me”, onde a compositora fala abertamente sobre o processo que envolveu sua filha Isadora. Muito ainda não foi superado, mas imaginar coisas boas nos ajuda a manter a mente em foco.

A cantora não se apega à repretições em suas letras, focando mais em melodias originais e autênticas, mas hora ou outra surgem músicas bem longas, que repetem a mesma palavra ou som diversas vezes, o que é quase a mesma coisa, mas o investimento em instrumentais orquestrados nos ajuda a digerir.

Nota: 9/10.

Ouça:

Björk – Utopia (Download)

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