CRÍTICA: “Art Angels” – Grimes | É pop, porém particular

Grimes propõe uma viagem cultural, musical de conhecimento sobre si mesma e sobre seu desmoronamento emocional, mas será que todo mundo a entendeu?

Artista: Grimes

Álbum: Art Angels

Lançamento: 06/11/2015

Gravadora: 4AD

Gêneros: Synthpop, PC Music, New Wave, Art Pop

Nota: 6,5/10

Produzido pela própria Grimes, “Art Angels” é o quarto disco de sua carreira. A cantora estava trabalhando em um projeto em Los Angeles, mas não se agradou com o resultado e decidiu começar do zero no Canadá, seu país de origem.

É então que surge seu disco mais acessível, sendo ao mesmo tempo Pop e experimental. Sua arte de capa foi projetada pela própria Grimes e mostra uma Banshee (criatura mística da cultura celta). A capa mostra bem o conceito do álbum, uma vez que Banshee’s, segundo a lenda, se alimenta do cérebro de sua vítima, criando uma metáfora para o abuso mental sofrido pela cantora. E além disso temos alementos da cultura japoensa, que também são musicalmente notáveis dentro do disco.

A canadense utilizou, pela primeira vez, instrumentos reais para a composição de suas músicas, o que para ela foi um desafio, mas se contentou com o resultado. Suas músicas viajam muito entre o Synthpop e o New Wave como base, se encontrando com o Pop experimental, o Hip-Hop, Pop Rock, além de haver algumas influências oitentistas entre elas.

Grimes respeita seu alcance vocal, utilizando sua voz de forma suave nas músicas,algumas vezes quase como parte do instrumental. Em certas faixas, principalmente em “Laughing and Not Being Normal”, “California” “Flesh Without Blood”, a voz de Grimes soa como um canto oriental, assemelhando-se ao modo indiano de cantar. O problema é a perda de identidade quando a cantora decide modificar seu timbre na hora da produção, deixando-a muito agúda e distorcida.

O álbum apresenta diversos estilos musicais que funcionam muito bem juntos, mas não há um bom encaixe entre elas. Enquanto o disco é aberto com “Laughing and Not Being Normal” – que começa com um super instrumental (mas declina quando inserido o vocal da cantora) – a faixa utilizada para encerra-lo é “Butterfly” – uma extrondosa balada de Synthpop. Nada coerente.

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“Art Angels” foi basicamente todo escrito por Grimes, tendo na composição de dua,s das quatorze faixas, as paticipações de Pan Wei-Ju e Janelle Monáe. Logo não é de se estranhar o fato de que suas letras falem com exclusividade sobre seu estado sentimental.

Nas faixas “California”, “Belly Of The Beat” e “Laughing and Not Being Normal” a cantora fala sobre sua relação com a mídia, que a adoece, não a compreende e escreve diversos artigos que manipulam suas palavras. Grimes também fala rapidamente e superficialmente sobre como é difícil manter sua saúde mental estando exposta.

“Flesh Without Blood” e “Kill V. Maim” são de longe as melhores faixas do álbum, e ainda por cima são complementares. Ambas possuem uma sonoridade bem próxima do Pop Rock, o que as torna mais fácil de digerir do que as outras.

Enquanto F.W.B fala sobre uma pessoa falsa, forçada e fingida que decepcionou Grimes, K.V.M soa como um filme, que a cantora apelidou de “O Grande Chefão, mas com vampiros”, logo a ideia da música seria um trailer desse filme fictício. Sua letra fala sobre uma série de erros cometidos por alguém, que sempre se desculpa com a frase “sou apenas um homem”. A faixa “Easily” também entra nessa mesma vibe de falsidade.

“Artangels” é uma singéla homenágem à cidade de Montréal, que é onde ela começou sua carreira. Ao som de um Pop pegajoso, Grimes fala sobre estar fazendo o que ama, e sempre inserir o que ama em seu trabalho, rebatendo o que a mídia diz sobre suas músicas e discos.

“REALiTi” é outra música que ouvimos e gostamos de cara, é um New Wave bem melancólico sobre a realidade. A cantora fala sobre enfrentar desafios em nossas vidas e que isso não é tão divertido quanto parece.

“Venus Fly”, com participação de Janelle Monáe, é inteligente, porém decepcionante. Os vocais das cantora são razos juntos do Dance Pop sintetizado. Sua letra fala sobre a obsessão com o padrão de beleza feminino e sugere uma descontrução mosntruosa de aparência para afastar olhares masculinos.

“SCREAM” é com certeza a música mais bizarra presente em todo o disco. Tendo apenas os vocais de Aristophanes, uma rapper taiwanesa, a canção é toda em chinês mandarim. Sua letra sugere um ambiente agressivo, com grande presença masculina, como um estádio de futebol. São usados sons de apito e de multidões gritando. Ao que se entende a letra fala sobre sobre a opressão contra mulheres e sugere um estupro.

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Considerações finais: “Art Angels” é cheio de altos e baixos, tendo mais pontos positivos que negativos. É um álbum bom e realmente interessante, tendo em vista que foi escrito e produzido por uma pessoa só, com poucas opiniões de fora, e talvez seja justamente isso que o impede de amadurecer nos momentos certos.

Suas composições não são tão fáceis de entender, e ao mesmo tempo simbolizam muitas coisas que nem imaginávamos, o que não é um ponto nem positivo e nem negativo, mas algo a ser observado. É quase como uma
Björk versão New Wave e Pop, só que mais rebelde.

As músicas em si tem certos problemas, como a duração de algumas das faixas, que se tornam cansativas depois de um tempo e só lembramos que ainda está tocando por conta do sentimento de que elas são intermináveis e repetitivas. E a modulação vocal realmente irrita.

Ouça:

Grimes – Art Angels (Download)

4 comentários sobre “CRÍTICA: “Art Angels” – Grimes | É pop, porém particular

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