Crítica | “Sucker Punch” – Sigrid: O ciclo do amor

A norueguesa Sigrid revive a música Pop em seu novo álbum, surpreendendo com ótimas músicas e letras incríveis

  • Artista: Sigrid
  • Álbum: Sucker Punch
  • Lançamento: 08/03/2019
  • Gravadora: Island Records

Nota: 8,8/10

Ao ouvir Sigrid pela primeira vez, tive a impressão que se tratava de outra artista de música alternativa, mas aos poucos essa imagem foi quebrada e hoje sei que a pegada da cantora é outra. A imagem clean de Sigrid engana um pouco, mas é só perceber que a ideia por trás de sua imagem é: uma garota normal, que foge do padrão “loira encorpada”, mas que quer fazer um som popular.

“Sucker Punch” é seu primeiro disco em estúdio. Sigrid já tinha lançado o EP “Raw” no ano passado, dando uma pista de como seria seu primeiro álbum. E a cantora seguiu apostando em seu estilo “Pop Teen” com uma pitada de Synthpop e New Wave, sendo a base das 12 faixas de “Sucker Punch”, mas ao longo do disco percebemos camadas de Hip-Hop e Folk. Digamos que os sintetizadores são uma ferramente muito importante neste trabalho e a todo momento percebemos um sentimento de nostalgia do tipo “acho que já ouvi isso em algum lugar”, talvez por conta das várias influências em músicas dos anos 80, que Sigrid já confirmou.

É um disco com uma pegada bem jovem, tanto em sua produção, quanto em seu conceito adolescente, já que Sigrid tem um estilo vocal bem característico, que pode não ser uma Hayley Williams da vida em potência, mas a cantora sabe usar sua voz da maneira correta, sem forçar o que ela não consegue fazer ao vivo. Digamos que ela respeita a própria voz, e isso é algo que está voltando a ser tendência no meio musical.

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É interessante citar como Sigrid contruiu seu álbum. Ele é aberto com a faixa título – que é uma explosão de sons e tendências vocais. Uma faixa realmente bem enérgica e dançante. Sua letra fala sobre algo novo em sua vida, um novo amor que a tomou completamente, e logo percebemos que este será um dos recortes da vida de Sigrid que estarão sendo representados no resto do álbum.

Já a canção utilizada para encerrar o diso é “Dynamite”, acompanhada de piano e voz. Sua letra conta como esse amor, descrito na primeira faixa, caiu na rotina e ambos perceberam que não foram feitos um para o outro. Basicamente uma carta de despedida a um sentimento que Sigrid costumava sentir.

Entre o início e o fim do disco, é contada a história de um relacionamento e como ele vai ficando desgastado com o tempo. O interessante é como o clima do álbum muda de forma tênue, é uma mudança que se percebe aos poucos, dando a entender que as músicas foram escritas em momentos bem específicos. Por conta disso, sinto que o álbum passe mais qualidade ao ouvinte.

Além da história principal contada no disco, no plano de fundo notamos muitos assuntos pertinentes para a galera jovem, como por exemplo os relacionamentos líquidos e a cobrança dentro deles, as brigas de casal. Ou como todo adolescente acredita que viverá um romance em sua vida.

Na faixa “Sight of You” Sigrid fala sobre os problemas que ela começou a enxergar na sua vida, após se tornar uma figura pública, mas diz que seus fãs a ajudam a superar tudo. E ela diz tudo isso em meio à um ótimo instrumental a base de violino e sintetizador. Ela volta a falar sobre sua carreira em “Business Dinner”, onde afirma não gostar da forma como a mídia controla e distorce sua imagem – essa é uma faixa bem calma, como em tom de conversa.

“In Vain” me chamou atenção dentro do disco, por seus vocais estridentes e por sua letra triste. Ao som dos acordes da guitarra, a cantora canta sobre estar se sentindo um peso para seu/sua parceiro(a), como se ela estivesse entregando seu coração à essa pessoa em vão, e estivesse prestes a se machucar.

“Dont Kill My Vibe” é o auge do empoderamento que encontraremos aqui. Sigrid canta sobre estar se sentindo presa em um relacionamento, aparentemente, abusivo, e então ela já manda aquele “não vem matar minha vibe não, bebê”. Seu intrumental é formado por teclados eletrizantes e batidas pesadas da bateria.

Chegando em “Never Mine” temos àquela fatídica conversa do “podemos continuar sendo amigos”, mas Sigrid acha que não vale nem um pouco apena, já que o fim foi tão amargo. E então ela entra no velho dilema “Quero você de volta, mas não faz mais sentido”. É definitivamente uma das melhores músicas de todo o disco, tanto pela letra, quanto pelo instrumental melancólico acompanhado de bateria, sintetizador e vocais bem neutros.

Em geral “Sucker Punch” funciona como uma versão atualizada de “Baby One More Time” de Britney Spears, recheado com os nossos dilemas sociais, e sim isso é um elogio. Suas letras são realmente ótimas e suas músicas muito gostosas e cativantes.

Não consegui deixar de notar que o álbum – que possui uma proposta de ser a releitura da adolescência e um recorte da vida de Sigrid, logo seu público torna-se mais segmentado – deixa a desejar no quesito originalidade e atutenticidade na parte dos instrumentais. Ouvindo o disco lembrei de muitos outros artistas que fazem sons bem parecidos, como Little Mix, Chlöe Howl, Taylor Swift, etc. Isso não significa que o álbum seja ruim, só que para uma artista da Noruega, seria interessante incluir um pouco mais de sua cultura em seu trabalho, pois soou como uma tentativa de adentrar o mercado musical americano.

Ouça:

Sigrid – Sucker Punch (Download)

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