Crítica: Kacey Musgraves – “Golden Hour”

A texana Kacey Musgraves surpreendeu a todos com seu álbum de Country Pop, sendo a melhor referência desta mistura de estilos até então

  • Artista: Kacey Musgraves
  • Álbum: Golden Hour
  • Lançamento: 30/03/2018
  • Gravadora: MCA Nashville

Nota: 8,2/10.

Lembro de estar acompanhando o Grammy Awards deste ano (2019) quando a vitória de “Golden Hour” foi anunciada na categoria de álbum do ano. Categoria essa que “Dirty Computer” de Janelle Monáe também concorria. Não me agradei com o resultado, mas pensei “deve haver um motivo para tal vitória”, foi então que ouvi o disco para tirar minhas conclusões.

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Nascida na cidade de Golden, no Texas, Kacey conseguiu consolidar sua carreira no mundo Country. “Golden Hour” é o quarto disco da cantora, e como o próprio título sugere, este promete ser uma releitura de suas principais inspirações locais e tudo o que ela absorveu, transformando esse amontuado de informações em um incrível disco homogêneo.

Kacey falou sobre outro significado para o título do disco em uma entrevista para a Entertainment Weekly: “Estávamos no meio da gravação do álbum quando o eclipse solar total aconteceu e escureceu toda Nashville. Também foi meu aniversário. Parecia um momento para estar presente e testemunhar e absorver o que estava acontecendo ao meu redor. Era o meu 29º aniversário, a hora de ouro”.

Produzido por Daniel Tashian, Ian Fitchuk e pela própria Kacey, o disco mescla gêneros mais segmentados como o Country e o Folk com o Blues e uma pegada bem leve de Pop. Algo a ser ressaltado é a habilidade vocal de Musgraves. Sua voz é leve e bem trabalhada, se nenhum exagero ou firula desnecessária.

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Um recorte simples de sua vida, mas feito da maneira correta, “Golden Hour” entra para a discografia de Musgraves como um incrível trabalho experimental e confessional.

O disco é aberto com a faixa “Slow Burn” que entrega a quantidade certa de nostalgia em suas notas tocadas ao violão. Sua letra fala sobre o tempo e como ele passa rápido. Ontém Kacey estava levando uma bronca de sua avó por furar o nariz, hoje ela é uma adulta vivendo um momento de ouro.

“Lonely Weekend” é uma melancólica balada que fala sobre a saudade. Essa é a faixa que mais se aproxima de uma canção da Taylor Swift. Seu instrumental é simples, bem Country e com um vocal mais potencializado. Uma de minhas favoritas do disco.

“Mother” é acompanhada do piano, sendo a música mais curta do álbum. Sua letra é uma carta aberta para sua mãe, onde Kacey fala sobre a falta que sente dela, pois a mesma está muito longe. Curiosamente a música foi escrita enquando a cantora usava LSD.

“Love Is A Wild Thing” é a balada mais poderosa do disco. Acompanhada de violão e guitarra, a faixa conversa sobre a perplexidade do amor e como ele é selvagem e inocente ao mesmo tempo. Isso também é transmitido pelo instrumental, que começa de forma bem leve e cresce absurdamente no refrão.

“Space Cowboy” é uma das músicas mais aclamadas pelos fãs, mas sinceramente não me apaixonei por ela. Bem countryzona acompanhada de instrumentos de corda e piano, sua letra fala sobre superar um velho amor e deixá-lo ir, sem adiar o inevitável.

“Happy & Sad” é outra música que adoro muito. Sua construção instrumental e conceitual é fortíssima, pois assim como o título sugere, “feliz e triste”, sua melodia segue sendo uma incógnita, pois ao mesmo tempo que é melancólica, consegue passar um sentimento muito bom. Sua letra fala sobre altos e baixos na vida e como eles são inevitáveis, mas se pode viver com eles.

“High Horse” é de longe uma das melhores do álbum, talvez por ser uma música forte ou por ter inspirações da Disco Music. Com um instrumental agitado feito com violão, sintetizador, contra-baixo e baterias, sua letra fala sobre um cara que adora aparecer e mostrar serviço, mas não passa de um zé ninguém.

Após o agito da faixa anterior, “Golden Hour” surge para nos acalmar novamente. Com vocais leves e um lindo toque de violão ao fundo acompanhado de batidas moderadas, a faixa conversa sobre encontrar a alma gêmea. Entretanto, o que a melodia tem de bonita, a letra tem de clichê e pieguice.

O disco fecha com a faixa “Rainbow”, que é seguida das cifras do piano, enquanto Kacey canta sobre suas experiências frustantes e como agora está finalmente encontrando o arco-íris em meio à tempestade.

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“Golden Hour” trata-se da mistura perfeita de estilos musicais que casam muito bem entre si. Suas inspirações vão desde de Dolly Parton, Bee Gees, chegando ao Tame Impala. A cantora mostra que a inovação é natural e não forçada.

Kacey Musgraves surpreende com suas lindas letras que contemplam a vida, o tempo e o amor, enquanto cria o clima ideal para cada uma das faixas presentes no disco, nos entrgando uma sensação mágica e nostálgica. O álbum tem músicas para todo tipo de situação e ainda nos desperta a esperança.

O que o faz ganhar o título de “Ótimo e Progressista”, mas não “Incrivelmente incrível”, é a presença de algumas músicas como “Butterflies”, “Oh, What a World”, “Velvet Elvis” e “Wonder Woman”, que são boas, mas tem composições um tanto quanto infantis e instrumentais esquecíveis. Soam como uma Adele do Country, só que menos emocionante e piegas.

Ouça:

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