Sara Bareilles – “Amidst the Chaos” | Crítica

Sara Bareilles lança “Amidst the Chaos”, seu sexto álbum de estúdio, recheado de baladas, letras políticas e muito mais!

Sara Bareilles - "Amidst the Chaos" cover art | Crítica
  • Artista: Sara Bareilles
  • Álbum: Amidst the Chaos
  • Lançamento: 05/04/2019
  • Gravadora: Epic Records

Nota: 8,8/10.

Após seu disco “What’s Inside: Songs from Waitress“, de 2015, Sara começou a compor este novo projeto, inspirada pelo período eleitoral dos Estados Unidos. A vitória de Trump foi o catalizador para que a cantora tomasse a decisão de escrever um álbum político, e é ai que o título “Em Meio ao Caos” começa a fazer sentido.

O álbum tem sua produção assinada por T-Bone Burnett, que junto de Sara resolveu trabalhar com uma sonoridade próxima da Soul Music, mas alternando sempre entre o Folk, o R&B e o Rock, este último em menor intensidade. O álbum é 100% instrumentos físicos, sem sintetizadores.

O piano e o violão são os grandes astros deste álbum, pois sua presença é confirmada na grande maioria das faixas. Isso se deve aos vocais estilo “Broadway” que a cantora exibe, pois o piano combina muito como este estilo de canto, onde se utiliza a voz de peito com controle e muita potência.

Sara Bareilles - amidst the Chaos - saga das músicas

“Amidst the Chaos” conta com cinco compositores, além de Sara, mas a cantora escreveu a maioria das músicas, e as que não escreveu por inteiro, co-escreveu com ajuda de alguém.

O disco é aberto com “Fire”, uma poderosa balada sobre término, que se desenvolve com o Folk, esse que nos trás um clima medieval, para combinar com sua letra, que fala sobre um relacionamento que acaba por não evoluir, e fica na mesma coisa sem sal de sempre. Sara não se sente mal pelo fim desta relação, que não tem o fogo do amor para mantê-la apaixonada. Leia mais detalhamente sobre “Fire” AQUI!

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“Armor” tem um instrumental à base de piano e percussão. Suas notas são bem graves, dando poder à canção e às palavras cantadas. Sara satiriza algumas passagens da bíblia, questionando o fato de apenas Eva ter levado a culpa por ambos, Adão e ela, terem comido o fruto proibído. Em outros versos a cantora afirma que toda a força de uma mulher vem da luta constante contra a sociedade machista. A canção é uma resposta ao movimento #MeToo.

“If I Can’t Have You” é uma faixa interessante, pois a primeira lida, soa obviamente como uma balada que descreve a saudade de alguém que Sara amou, mas na realidade a canção é sobre Barack Obama, ex-presidente dos E.U.A. Ela passa realmente um sentimento de saudade, por conta de suas notas melancólicas inseridas dentro do R&B quase góspel.

“Eyes On You” possui elementos de Rock, mas seu refrão é bem leve. No entanto sua letra acaba por ser sua triste alma, que aborda a vida como ela é: um relâmpago. Sara fala sobre pessoas vivendo suas vidas, e que o mundo não para quando ela está longe. O máximo que pode fazer é manter sempre os olhos nas pessoas que ama, para que não perca muita coisa. Minha favorita.

“Miss Simone” soa como uma típica música que um cantor cantaria em um bar ou restaurante. O violão soa triste e os vocais leves. No entando sua letra é na verdade bem romântica e aborda um amor estável, que possui uma trilha sonora muito interessante: Nina Simone.

“Wicked Love” se desenvolve com as notas graves do piano, a percurssão e o doce som da guitarra. Sua letra é empoderadora, e fala sobre um tipo de “amor” muito comum hoje em dia, esse que nos deixa infelizes. Sara percebeu que vivia um relacionamento assim e pulou fora bem a tempo. Ao mesmo tempo podemos dizer que seja uma canção de duplo sentido, direcionada à Trump e seu grotesco modo de governar.

“Orpheus” Utiliza das cordas para criar sua identidade. É uma canção inspiradora, que diz sobre o pesar da realidade e como as vezes precisamos de ajuda para criar forças e superar alguns problemas. Também é uma forte crítica política sobre a America do Norte está desumana. Uma das mais lindas de todo o disco.

“Poetry By Dead Men” possui uma incrível melodia criada a partir de piano e cordas e esse é com certeza o seu ponto mais alto. É a melhor do disco nesse quesito. Sua letra fala sobre criar uma versão melhor de alguém em sua cabeça e sonhar com momentos que nunca irão acontecer. Sua letra também é incrível e muito direta, há como perceber o sentimento em suas palavras.

“Someone Who Loves Me” também é acompanhada de violão e voz e percussão, e acaba repetindo um pouco da informação já havíamos visto em “Orpheus”. Fala sobre estar em uma situação de desespero e ainda sim poder confiar que seu amado(a) virá lhe dar apoio.

“Saint Honesty” possui o mesmo clima pesado da faixa anterior, com o mesmo segmento instrumental, o que lhe dá um climax é a linda voz de Sara, que vai do grave ao agúdo sem problema algum. A cantora fala sobre a importância da honestidade em uma relação e mesmo que algumas palavras possam doer, o tempo fará a dor sumir.

“A Safe Place To Land” é um dueto com o cantor John Legend. A construção instrumental é linda. Começa com o piano, depois é inserida a bateria e então os instrumentos de corda quase apagados. Sua letra é triste e amarga, sem duplos sentidos. Aborda a crise de separação da família imigrante, ao longo da fronteira EUA-México. E o disco é fechado com um lindo choque de realidade sobre como os imigrantes estão sendo tratados pelo governo.

Sara bareilles - amidst the chaos critica saga das músicas

Ao longo deste trabalho percebemos que tudo foi construído de forma aprofundada, pois nenhuma de suas letras é superficial. É um álbum sério que agrega muito valor à carreira de Sara Bareilles como musicista, cantora e compositora.

Suas composições entregam a carga certa de sentimentalismo, utilizando as palavras de forma inteligente, entretanto com algumas repetições em seu repertório. Ao mesmo tempo que temos incríveis baladas como “Poetry By Dead Men”, que é um dos climax de todo o disco, a faixa que a precede é “Someone Who Loves Me”, que soa morna e piegas, após a imensidão da nona música.

Ainda sim é um dos trabalhos mais impressionantes de Sara até então, mostrando uma visivel evolução pessoal e profissional. A cantora fez bem em centralizar seu álbum em estilos que se completam, ao invés de inserir muitos elementos Pop e no final acabar soando como uma tentativa frustrada de hitar.

Ouça na íntegra:

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