CRÍTICA: Lana Del Rey – Norman fucking Rockwell

Após muito nos provocar com singles soltos aleatoriamente, Lana Del Rey finalmente assumiu esse filho que é o “Norman Fucking Rockwell” e o lançou nesta última sexta-feira (30). O disco conta com 14 faixas, cheias de muito sentimentalismo e nostalgia. A produção do álbum ficou nas mãos de
Dean Reid, Happy Perez, Jack Antonoff, Kieron Menzies, Louis Bell, Rick Nowels, Watt, Zach Dawes e a própria Lana.

A ideia para o título surgiu com a faixa que inicia o álbum. “Norman Rockwell” é um artista que a cantora usou de personagem para depositar sua carga emocional. A música em questão fala sobre esse cara, por quem ela se apaixonou. Ele é um conquistador barato e um poeta, que faz um ótimo sexo, mas suas atitudes a deixam triste. No entanto ela entende que Norman não passa de um homem e todos eles são assim.

A partir disso podemos entender que o resto do disco tem a pretenção de aquecer nossos corações, a fim de abrir novas possibilidades sentimentais. É interessante olhar por este lado, pois mostra que Lana está em maturidade e não canta apenas sobre querer estar morta, sexo e drogas – não com a mesma intensidade.

Ao longo das quatorze faixas percebemos que na verdade o álbum conta uma história sobre amadurecimento e sobre a descoberta de um novo amor. Esta toma continuidade na faixa “Mariners Apartment Complex”, onde Lana canta sobre ser um guia para o seu amante. Ela usa algumas metáforas para isso, como se comparar à uma vela, afirmando que já não é tão frágil como antes.

O ápice de seu amor se encontra na faixa “Fuck It I Love You”. Lana se empenhou muito ao criar o conceito desse disco, pois desde a primeira música a cantora vem descrevendo um cenário tropical – uma praia, para ser mais específico. Até mesmo a sua capa descreve este cenário, e nela há um homem, que deduzimos ser o Norman.

“Doin’ Time” é um cover da banda Sublime, e Lana entrega vocais sexys e sussurados. A música em questão fala sobre estar estável emocionalmente e se divertir com uma galera. É o auge até então.

Logo após entra “Love Song”, uma canção bem interessante, pois tem um instrumental melancólico, vocais lentos, mas uma letra muito linda. Entregando perfeitamente o sentimento de estar apaixoando.

“Cinnamon Girl” mostra um lado vulnerável de Lana. Ela se entrega por completo para Norman, a fim de que ele cuide dela com o mesmo carinho com o qual ela o trata. A letra possui um tom um pouco doentil nesse quesito, uma vez que ela está se deixando ser machucada apenas para viver este amor.

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As faixas “How To Disappear”, “California” e “The Next Best American Record” retratam os sentimentos de Lana após este amor ter terminado. As canções soam como tristes flashbacks, onde a cantora relembra bons momentos ao lado de Norman. Em “How To Disappear” ela canta “Agora faz anos desde que eu deixei Nova York, eu tenho uma criança e dois gatos no quintal” – ou seja, passou-se muito tempo desde o fim de seu relacionamento e ela ainda tem suspiros com seu amado.

Em “The Greatest” ela conta, em formato de carta aberta, como se sente em relação ao fim desse amor. A cantora juntou o clipe de “Fuck It I Love You” com este, para mostrar os dois polos da história. Confira:

“Bartender” é uma canção um tanto quanto triste. Lana se vê perdida, mas com a esperança de um novo românce. Ela afirma que por hora seu amor é um barman, que serve alguns drinks e lhe dá atenção, mas ela já não bebe nada alcólico, então só vai lá para vê-lo. Este mesmo sentimento continua em “Happiness Is A Butterfly”, onde ela afirma estar tão machucada, que já não se importa com quem irá se envolver. Atento aos versos “Se ele é um assassino em série, então o que de pior pode acontecer a uma garota que já está machucada?“.

O álbum fecha com a canção “hope is a dangerous thing for a woman like me to have – but i have it”. Como o próprio título sugere, Lana passou uma vida inteira com apenas um amor verdadeiro e desde então vem tentando repetir esse sentimento. Após estar frustrada com isso, ela repensa sua vida e nota que mesmo depois de tudo o que passou, ela ainda mantém a esperança reviver tudo.

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Após ouvir, ler e entender o disco “Norman fucking Rockwell”, cheguei à conclusão de que Lana Del Rey não é aclamada atoa. O trabalho, de primeira ouvida, pode soar cansativo e muito repetitivo – o que eu sinceramente achei mesmo após ouvir duas vezes, pois a artista realmente parece estar ancorada em sua zona de conforto – mas assim que entender a historia e sua profundidade, o ouvinte cria um vínculo emocional com a obra.

O álbum possui uma incrível construção instrumental, que impressiona bastante ao mesclar esse estilo clássico da cantora com o cenário praiano que ela criou. Realmente soa como uma praia dos anos 70, e mais, parece também que essa “Lana Del Rey” viveu nessa década e experimentou desse amor único. É uma história tão verdadeira que poderia ser retratada nos cinemas.

“Norman fucking Rockwell” mostra a nítida evolução e o amadurecimento da cantora, que além de criar um degradê emocional, também se mostrou uma romântica de carteirinha. Agora seus fãs podem chorar quando estiverem apaixonados e tristes. Mas há um certo ponto do disco que soa muito neutro e sem cor, o que me deixou desapontado, pois Lana parece não querer testar outra coisa, além de violinos e baterias.

8/10 – Nota.

Ouça na íntegra:

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