Crítica: “Visions” – Grimes | Dando uma chance

Sempre taxei Grimes como uma artista medíocre, por apresentar trabalhos tão complexos e ainda sim fazer com que eles soem como a coisa mais cult da história. Entretanto não pude ignorar o fato de que a cantora aparece em uma lista muito importante na Discogs, esta “Os melhores álbuns da década”, onde seu álbum “Visions” aparece na posição 90.

Grimes - visions capa

Lançado em janeiro de 2012 pela gravadora 4AD, mesma gravadora que assinou o disco “Art Angels” de 2015, o disco vem com uma proposta de música eletrônica um pouco diferente do que estava rolando na época, e que não bate nem com o tipo de música que ouvimos atualmente. É um disco bastante a frente de seu tempo.

Como sempre, a arte de capa vem como um complemento para a obra, dando uma espécie de spoiler sobre como o disco irá soar. Aqui vemos uma tela assustadora, desenhada pela própria artista, que trás diversos elementos da cultura pop japonesa, que funciona como um conceito bem forte nas faixas, como os cânticos e a voz extremamente aguda que entra como um complemento ao instrumental.

Quando analisamos a capa como um todo, percebemos que apesar da estética macabra, é um desenho que soa agradável, igual as próprias músicas, que trazem um pouco do Dream Pop à tona, mas escondem composições intensas por trás.

grimes visions genius

É um disco que funciona muito bem quando ouvido do início ao fim, mas possui faixas que se viram bem sozinhas, como é o caso de “Be A Body”. Grimes também tenta inserir um pouco do Pop oitentista em sua obra, a fim de explorar bem todas as vertentes da música popular.

“Oblivion” acaba por ser o carro chefe do disco, por ser uma canção bem animada e ter um vídeo-clipe bem inusitado. Grimes canta sobre a agressão sexual e descreve uma cena de perseguição. O clipe mostra alguns locais predominantemente masculinos, onde a cantora vai para marcar seu território entre os rapazes.

Grande parte das canções do álbum soam como uma espécie de trilha sonora de algum filme infanto-juvenil futurista. Artistas como Declan Mckenna seguem os passos da produtora, e o Synthpop está cada vez mais presente em grupos alternativos.

Entre canções que exploram o amor e as relações atuais, temos “Circumambient”, que possui uma melodia bagunçada, assim como sua proposta de dizer que está tudo bem quando você não se sentir completamente bem. As vezes só precisamos de um tempo a sós.

O disco é encerrado por “Know The Way”, que vem com uma melodia calma, que fecha este diário bagunçado, que é o disco “Visions”. É um relato sobre a desordem que estava a mente de Grimes naquele momento – assim como qualquer outro disco kk – mas o que temos aqui é a desconexão com o mundo, e é isso que a cantora quer propor para nós quando o ouvimos.

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É um disco que abre portas para um novo tipo de visão, e Grimes proporcionou que o mundo visse sua música com outros olhos. Diferente de “Art Angels”, este é um álbum que eu ouviria até o final e apertaria o replay.

8,5/10 – Nota

Ouça na íntegra:

3 comentários sobre “Crítica: “Visions” – Grimes | Dando uma chance

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