Crítica: Pang – Caroline Polachek | Os portões de sua alma ainda estão abertos?

Algo que está se popularizando bastante na cultura musical mundial é esse estilo de Pop consciente, que foca muito no sentimental do artista. Floroence + The Machine foi uma das primeiras bandas a trabalhar inteiramente com discos confessionais. Seu “How Big, How Blue, How Beautiful” de 2015 é basicamente um relato de como sua vida foi de mal a pior e depois se estabilizou.

Depois Katy Perry lançou o “Witness” em 2017, que falava exclusivamente de si mesma e sobre a sua mudança de caráter. E desde então é bastante comum ouvir discos que relatam um sentimentalismo extremo, que descreve partes da vida do eulírico. Quem ai nunca ouviu o “Melodrama” da Lorde?

Caroline Polachek foi ainda mais longe do que essas artistas, criando um conceito bem profundo que interliga a sua alma com a sua visão de mundo e como a cantora enxerga a realidade a sua volta.

Caroline Polachek saga das músicas

O disco “Pang” foi lançado no dia 18 de Outubro de 2019 pela gravadora Perpetual Novice. A produção ficou nas mãos Danny L. Harle, Daniel Nigro, AG Cook e Jim-E Stack, em coonjunto de Caroline, que participou ativamente da produção de todo o álbum.

Este é seu terceiro disco de estúdio, mas é o primeiro que a cantora lança com seu nome. Os outros dois foram lançados por seu pseudônimo Ramosa Lisa. A cantora também é ex-vocalista da banda Chairlift e carrega consigo uma grande bagagem musical.

Seu disco, no entanto, trabalha com o experimentalismo e a descoberta de novos estilos. Caroline brinca com os sons e faz alguns testes durante o disco, que geram um resultado final incrível. É o tipo de álbum que desperta muitas emoções, e cada canção é uma nova descoberta. Tem música pra todo momento e até os vocais da cantora entram na brincadeira, pois de fato Polachek possui uma ótima tecnica, mas insere moduladores vocais de propósito para dar uma cara mais superficial em seu álbum, que é tão profundo.

A cantora nova-iorquina investe alto no Synthpop, dando uma nova forma para seu estilo musical, que também mistura o Pop alternativo com uma pitada de PC Music. O disco não conta com muitos intrumentos físicos além da guitarra, e os intrumentais são muito doces, apesar de serem, hora ou outra, um pouco tristes.

Capa do álbum Pang de Caroline Polachek

O álbum inicia de forma positiva e otimista, onde Caroline cria uma teoria referente aos portões de sua alma, afirmando que os abriu e se permitiu amar e ser amada. Com o passar do disco vamos percebendo sua triseza que envolve não apenas o amor, mas tudo em sua volta. O auge dessa visão de Polachek é na faixa “Parachute”, onde a cantora fala sobre a atual situação do planeta e do meio ambiente.

A faixa “I Give Up” é uma das mais interessantes da obra, justamente por marcar a divisão sentimental do disco. A canção fala sobre Caroline não querer mais insistir nessa relação que não está trazendo bons frutos para si mesma.

“Look At Me Now” é uma das faixas mais intensas de todo o disco, pois Caroline fala de si mesma a fim de perceber seus pontos fracos e tudo de ruim que lhe aconteceu. Ela fala sobre um término que enfrentou e como isso a afetou fisicamente.

“Ocean Of Tears” também é muito marcante. A cantora utiliza de um registro agúdo de sua voz e mescla a delicadeza de sua voz com um instrumental bastante pesado, lembrando um pouco os hits de Hip-Hp Lo-Fi. Caroline está digerindo seu término e entendo melhor seus sentimentos.

Desde então a cantora vem remoendo esse sentimento de despedida, até que chegamos na faixa “So Hot You’re Hurting My Feelings”, que é a canção mais adocicada até então. A canção tem uma letra engraçada, pois ela se vê em meio as lembranças com seu ex, e diz que ele é tão sexy, que chega doer. O clipe descreve um cenário meio medieval, com um grimório de bruxa e velas, porém a cantora está pleníssima e bem estilosa dançando na caverna pegando fogo.

O single “Door” soa muito profundo, de forma a ter dois signfiicados. A cantora se pergunta o porque de ainda estar fazendo isso, cantar e sair em turnê se no final nada muda, mas também podemos entender que ela queria ser mais para àquele que ela ama. A partir disso o seu conceito sobre o portão de sua alma muda e após algumas decepções sua alma não soa mais tão doce quanto antes.

O visual do disco é muito bonito, Caroline trabalhou tudo muito bem. As canções possuem uma qualidade surreal e suas letras são muito bem escritas e exploradas. O disco possui uma recaída emocional muito subta e isso me chamou atenção, pois a cantora ressaltou bastante essa sua relação que veio ao fim e como isso a mudou completamente. No entanto, este também é seu ponto fraco, pois há um grande foco em algo profundo e então Polachek insere pequenas discussões superficiais por cima. Ainda sim é um relato sentimental muito bem desenvolvio.

8,8/10 – Nota

Ouça na íntegra:

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