Crítica: FKA Twigs “MAGDALENE”

Lançado nesta sexta-feira (8), “MAGDALENE” é o segundo disco de estúdio da cantora experimentalista FKA Twigs. A obra foi lançada pela Young Turks Recordings. Na produção temos mais de 10 nomes, inclindo Skrillex, Cashmere Cat, Benny Blanco e a própria FKA.

A cantora explica o conceito de seu disco, que é inspirado em Maria Madalena. Ela deu uma entrevista para revista “I-D” e contextualizou: “Não importa o que você esteja fazendo ou quão bom seja o seu trabalho, às vezes é como se você tivesse que se apegar a um homem para ser validado. Eu me senti assim às vezes. E então comecei a ler sobre Maria Madalena e como ela era incrível; como era provável que ela fosse a melhor amiga de Jesus, sua confidente. Ela era uma herbalista e uma curandeira, mas, você sabe, a história dela é escrita fora da Bíblia e ela era “uma prostituta”. 

Logo a cantora se refere a como o sucesso feminino na indpustria, e a vida das mulheres em geral, sempre tem de estar ligada a algum homem, pois a sociedade não aceita mulheres bem sucedidas. O disco traz boas discussões feministas e sobre a vulnerabilidade do eu-lírico.

FKS Twigs - Magdalene - capa do álbum

A capa soa como uma metáfora para o tema central do disco. A arte mostra uma escultura em 3D de uma figura humanoide que lembra sua imagem. Mesmo com diversas rachaduras e partes falhas, a escultura ainda se assemelha fielmente à FKA, mostrando que mesmo após diversas cicatrizes emocionais, a artista se mantém em pé e firme.

Twigs investe em uma sonoridade completamente inusitada, que soa tão experimental quanto o “Utopia” de Björk. As canções, no entanto, não tem uma conexão linear, por exemplo, há canções que soam como cânticos religiosos, com vocais mais presentes que o próprio intrumental, como é o caso de “Thousand Eyes”, que abre o disco. Também há faixas que investem no Hip-Hop e na música eletrônica, tipo “Sad Day”, que é uma das melhores do disco.

A voz da cantora é incrivelmente poderosa, se atentanto bastante nas notas agúdas, mas sem deixar os registros graves de lado. No disco há muitos instrumentos presentes na composição, os mais notáveis são o clarinete e o piano, cordiais na produção.

fka twigs magdalene - photoshoot

O álbum soa como um storytelling onde a cantora narra, de forma metafórica, o término de seu relacionamento. Segundo a própria FKA “Eu nunca pensei que o coração partido pudesse ser tão abrangente“, se referindo a como há diversas formas de retratar um fim de relacionamento. Em paralelo a cantora também comenta sobre como manter sua carreira exige muito de sua saúde mental.

A todo momento Twigs expressa sua vulnerabilidade e canta sobre como está machucada e com os sentimentos feridos, e isso evolui durante o disco, que se inicia de forma bem melancólica, mas tem uma ótima crescência. Entre as faixas “Thousand Eyes” e “Sad Day”, o foco é o término de sua relação, mas a partir de “Holy Terrain”, em parceria com o rapper Future, o eu-lírico entra em processo de superação.

“Mary Magdalene” explica o conceito do disco. FKA brinca com as inumeras leituras da personalidade de Maria Madalena e como os homens ao torno da história sujaram seu nome. A canção “Fallen Alien” é uma das melhores canções do disco e mantém o ritmo de sofrência e o papel de trouxa de FKA se prestou.

“Mirrored Heart” possui uma letra interessante, que fala sobre a tendência de usar pessoas como troféus, apenas para estar com elas, mas sem nenhum sentimento amoroso envolvido.

A música “Daybed” é uma peça importante para o disco, uma vez que expressa o sentimento de depressão da artista e como ela se sentia como um fruto podre. Inclusive FKA Twigs se compara com frutas em diversos momentos do disco, como em “Home With You”, onde ela canta o seguinte “Maçãs, cerejas, dor. Inspire, expire, dor”.

O disco é encerrado com “Cellophane”. Sua letra compara um relacionamento conturbado a papél celofane. FKA fala sobre como o sofrimento fica mais bonito nos olhos das pessoas que assistem por fora. Seu clipe mostra uma queda inesperada, e mesmo nessa fase difícil de sua vida, há fatores que a confortam e curam suas feridas.

“MAGDALENE” é um disco coeso do início ao fim, sendo um trabalho bem redondo. Twigs não deixou ponto sem nó no quesito “conceito”, que tem até de mais. Com pouco mais de 38 minutos de duração, o disco apresenta canções emocionantes e uma tecnica vocal impecável.

No entanto, temos um álbum com muito potencial que se resume apenas a um coração partido, e isso é usado várias vezes como metáfora para os diversos assuntos de sua vida e carreira. Também é interessante citar que é uma obra que funciona para ser consumida como um todo e são raras as músicas que funcionam fora do contexto do disco, como “Sad Day”, “Holy Terrain” e “Cellophane”.

8/10.

Ouça na íntegra:

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