Resenha: Grimes – Miss Anthropocene | A trilha sonora do fim do mundo

Após cinco anos do lançamento de “Art Angels”, a produtora e, quase, cantora, Grimes, finalmente lançou seu quinto disco em estúdio. “Miss Anthropocene” veio ao mundo no dia 21 de fevereiro deste ano. O álbum não surpreende ao trazer um conceito futurista por trás de uma discussão não tão futurista assim.

Leia também nossa crítica sobre o “Art Angels”.

Nota:

7,8

O disco foi 95% produzido pela própria Grimes, com exceção da faixa “Violence”, que conta com a participação do DJ i_o. Musicalmente falando é um álbum com uma pegada bem obscura, com a forte presença de graves, que entram em contraste com os vocais agudos da cantora. Eu diria na verdade que se trata de cânticos, algo que Grimes vem cultivando desde “Art Angels”.

Há uma forte influência da PC Music rondando o projeto, com uma leve pitada de música eletrônica. A produtora investe em batidas e inclui até mesmo o som de instrumentos físicos, como a guitarra elétrica e o violão, mas apenas em algumas faixas. No geral “Miss Anthropocene” é mais agradável aos ouvidos do que seu antecessor.

Segundo a própria Grimes, este é seu disco favorito, em suas palavras: “Na verdade, eu acho que esse álbum é extremamente doente. Este é provavelmente o meu álbum favorito. O que é chocante, porque geralmente eu realmente odeio meu trabalho no ano seguinte.” – Entrevista para a Beats 1 Radio.

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Inspirada pela cultura mitológica da Grécia e de Roma, Grimes criou toda uma história apocalíptica que envolve o fim do mundo, correlacionado com o aquecimento global. Miss Anthropocene, no contexto do disco, seria uma espécie de demônio feita de óleo e marfim, que quer ver o fim do mundo.

Em meio à este conceito aberto, Grimes conversa sobre diversos outros assuntos, como exemplo sua faixa de abertura “So Heavy I Fell Through the Earth” fala sobre a decisão de engravidar. Há algumas semanas descobrimos uma possível gravidez da cantora. A faixa tem cerca de 6 minutos e não é tão interessante assim, sendo bem esquecível.

Logo após temos “Darkseid”, que é o nome de um vilão da Liga Da justiça. Em colaboração com a artista PAN, a canção conta com um rap em mandarim, que traduzido soa como uma poesia sobre a dor e a superação. A faixa também não se destaca nem um pouco na obra.

“Delete Forever” é a canção mais mainstream de todo disco, curiosamente a que eu mais gostei. É a menos barulhenta, na real, acompanhada de violão e bateria. Grimes mostra seu vocal grave e canta sobre a morte. Segundo a própria, para o site Genius, “É uma música muito chata. Eu acho que é sobre a epidemia de opióides. Tive muitos amigos falecidos, em particular, um amigo quando eu tinha 18 anos, falecido por complicações relacionadas ao vício em opióides.

“Violence” vem logo em seguida. É a música mais próxima do Pop atual, e mesmo assim ainda está bem longe dele. A composição é um ponto importante na canção, já que Grimes olha da perspectiva da Terra, como se fosse humana e fala sobre sua relação abusiva com os humanos, que se divertem enquanto a machucam.

Depois vem “4ÆM”, que é muito agitada e soa muito futurista. A faixa fará parte da trilha sonora de Cyberpunk 2077, um videogame que será lançado em 2020. A letra é sobre saúde precária e epidemia. Grimes diz ter se inspirado no filme Bajirao Mastani, e que essa foi a primeira faixa escrita para o álbum.

“New Gods” vem em seguida, com o vocal de Grimes mais em evidência. Trata-se de uma balada dramática ao som do piano. Grimes clama por novos deuses, já que os “atuais” parecem não estar fazendo muito pelo meio ambiente.

“My Name Is Dark” é a sétima faixa do disco, e conta com uma ótima marcação de baixo. Seu refrão é bagunçado, se encontrando com a letra que fala sobre o uso de drogas e a insônia, que bagunçam a mente. É a composição mais complexa do disco.

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Imagem original do site Genius.

“You’ll miss me when I’m not around” vem em seguida. A voz de Grimes está ainda mais em evidência e muito bonita. A canção é agradável, mas sua letra é um tanto triste, já que é sobre suicídio. Grimes fala sobre a perspectiva de alguém que morreu.

A próxima é “Before The Fever”, a música mais dark de todo o álbum, segundo os fãs e a própria produtora. Grimes tenta descrever o desespero da morte e diz ter se inspirado na morte de Joffrey em Game of Thrones

“IDORU” vem logo em seguida, com instrumental mais otimista, com o objetivo de mostrar que mesmo após o desespero, sempre há um pouco de esperança. Trata-se de uma canção de amor, que fala sobre os momentos difíceis e como é importante a companhia de alguém que amamos.

A última faixa inédita do álbum é “We Appreciate Power”, em colaboração com HANA. Grimes termina seu disco falando sobre a inteligência artificial e sobre as pessoas erradas no poder, finalizando assim sua história distópica sobre o fim do mundo como conhecemos.

Quando Grimes foi anunciar o disco, para o site Spin, ela disse o seguinte sobre o conceito geral: “Cada música será uma encarnação diferente da extinção humana, conforme retratada por meio de uma Demologia Popstar. A primeira música ‘We Appreciate Power’, apresentou o grupo de garotas pró-AI-propaganda que incorporam nossa potencial escravização / destruição nas mãos da Inteligência Geral Artificial“.

A produtora afirmou que queria transformar o tema “aquecimento global” em algo divertido de ser discutido, a partir de seu disco. Não posso dizer que o objetivo foi totalmente alcançado, mas com certeza é um álbum muito interessante e maduro, com letras inteligentes.

Ouça na íntegra:

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