Crítica: Joy Division – “Unknown Pleasures” | Superestimado ou atemporal?

Talvez um dos álbuns mais complexos da cultura Pop, ao lado de “The Dark Side Of The Moon” de Pink Floyd, “Unknow Pleasures” de Joy Division é um disco tão triste e profundo, que até sua arte de capa insere o tema “morte” ao ouvinte.

Sua arte de capa icônica trás o seguinte significado: “uma representação da leitura de ondas de rádio emitidas pelo Pulsar CP 1919. Esse pulsar em específico, por sua vez, representa as reminiscências de uma estrela após ela entrar em colapso consigo mesma e, por fim, deixar de existir.” – Rolling Stone.

Nota:

9,1

Lançado em junho de 1979 pela gravadora Factory, o primeiro trabalho de estúdio de Joy Division teve sua produção assinada por Martin Hannett e dos próprios integrantes da banda, que assumiram o controle por seu som. O ano de lançamento foi marcado por muitas influências Pós-Punk, que é o gênero musical aplicado ao disco, mas temos muitas referências do Rock por si só.

A sonoridade do álbum é incrivelmente pesada e bastante inovadora para a época. Patti Smith foi uma pioneira no Punk Rock, e o que mais marca essa fase é o som do baixo presente em todas as faixas. Joy Division tinha Peter Hook como baixista e esse mandava muito bem. A produção da obra é excelente e a mistura de sons graves e agúdos com os vocais de Ian sãlo uma verdadeira obra de arte.

Se a melodia já é incrível, imagine então o conteúdo escrito do disco. As letras são a parte mais profunda da obra, digamos que o coração do álbum. Tanto a sonoridade, quanto as composições soam como uma imersão em uma realidade um tanto obscura, que no caso é a mente de Ian Curtis.

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Já no final dos anos 70, quando o mundo passava por mais uma revolução e a indústria do entretenimento crescia cada vez mais, o vocalista da banda se sentia cada vez mais deslocado da realidade. Depressão e ansiedade nunca foram temas fáceis de abordar, mas Ian descreve cada um desses sentimentos de forma super linear e de fácil compreensão.

Curtis tinha crises de epilepsia e por conta disso sentia que não fazia parte desse grupo de “pessoas normais”, o que ele desejava muito. A faixa que abre o disco, “Disorder”, fala um pouco sobre como eram suas crises, principalmente quando o cantor diz “Está ficando mais rápido, se movendo mais rápido. Agora está ficando fora de controle“. A linha de baixo não mantém uma constância, o que ajuda a interpretar melhor a faixa.

“Day Of The Lords” segue o disco e quem curte Pink Floyd vai se identificar um pouco. Quem ai já ouviu “What Do You Want For Me”? O instrumental é mais leve e sua letra fala sobre como o governo move homens para a guerra como se suas vidas não significassem nada, enquanto os “lordes” ou no caso os comandantes não sofrem nada com isso.

“Candidate” vem logo em seguida e é uma canção não muito chamativa. Sua letra, no entanto, é bem interessante e compra o processo de conquista com a corrida à um cargo público. Ian sugere que não tem interesse em viver em um triângulo amoros e desiste da mulher que tanto amava, como se desistisse de sua candidatura. Banalisando assim o sistema de voto.

“Insight” é uma das melhores do álbum, mas também uma das mais tristes. Ian Curtis canta sobre perder seu sentimento de felicidade e não sentir mais vontade de tentar ser feliz e correr atrás de seus sonhos. Ele lembra como costumava ser feliz quando mais jovem, mas nada disso faz mais sentido. O instrumental, no entanto, é bem calmo.

A próxima faixa é “New Down Fades” é muito profuda também, e sua melodia também passa o sentimento de vazio descrito pela letra, essa que detalha a sensação de infelicidade e depressão. O vocalista canta sobre observar as pessoas que aparentam ser felizes de longe e invejar suas vidas. A frase mais tocante da música é “Oh, eu andei sobre a água, corro pelo fogo. Não consigo sentir mais isso. Era eu, esperando por mim, esperando por algo mais.

“She’s Lost Control” é uma das músicas mais conhecidas da obra, por conta de sua melodia agitada, e fala sobre uma garota que Ian conheceu que também tinha crises de epilepsia, porém ela se mantia consciente durante as crises e repetia a frase “Eu perdi o controle novamente”.

“Shadowplay” é minha faixa favorita, talvez por conta do som da guitarra presente na canção, mas a verdade é que a música é realmente incrível. Na letra Ian descreve o quanto procurou pela felicidade, mas não a encontrou, e mesmo em seus shows, quando ele tentava se conectar com o público, parecia que seus fãs não o entendiam e estavam ali apenas pela sensação de felicidade momentanea que a banda os proporcionava.

Em seguida vem “Wilderness”, que é uma faixa que não me conquistou tanto, mas sua letra é tão intelignete quanto qualquer outra neste disco. Nela é descrito o quanto a religião é inconsequente em relação à sociedade e os líderes reliosos não ligam nem um pouco para o bem estar de seus fiéis, apenas para a devoção.

“Interzone” é a faixa mais complicada de interpretar. O que se pode entender a partir da letra é que Ian descreve um pesadelo que teve com um episódio de claustrofobia e paranoia. Ele descreve um cenário mórbido e soa como se ele estivesse se despedindo de seus amigos, pois também há trechos que falam sobre morte.

O álbum é finalziado com a faixa “I Remember Nothing”, uma música bem pesada em questão do instrumental e dos vocais de Ian. Ele descreve uma sensação de deslocamento social, já que não se sente parte da sociedade. Ian Curtis também fala um pouco sobre seu relacionamento, que se torna conturbado por conta de seu estado depressivo. E assim ele se despede.

Joy Division Membros da banda

Esse disco me tocou bastante pela forma como as canções foram compostas. Cada letra desse álbum possui uma mensagem muito importante e soa como uma poesia de difícil compreensão, mas que no final é sobre algo que está se repetindo nos dias atuais. Infelizmente Ian nos deixou em meio de 1980. O cantor cometeu suicídio, decorrente a tudo que estava sentindo e não foi devidamente tratado.

Ouça o álbum na íntegra:

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