Crítica: SZA – “CTRL” | Em busca do amor próprio

Se você já assistiu “Sessão Da Tarde” várias vezes, possivelmente já teve o prazer de assistir ao filme “Nunca Fui Beijada”, que relata a segunda vez de Josie Geller no colegial. A reporter precisa fazer uma reportagem muito importante e pra isso revive seus piores dias, onde foi rejeitada pelos meninos por quem ela era apaixonada. Essa história tem um pouco a ver com o conteúdo do disco de SZA.

Nota:

8,3

“CTRL” é o álbum de estréia de SZA (Solána Imani Rowe), lançado em Junho de 2017. Todas as canções são co-escritas pela cantora, com as participações especiais de Pharrell Williams e Kendrick Lamar, mas a produção é assinada por Scum. O álbum foi lançado pela Top Dawg Entertainment e a RCA Records.

Contendo 14 faixas o disco investe no R&B Comtemporâneo como sonoridade principal, mesclando referências do Hip-Hop dos anos 90 e do Blues – também é classificado como “Neo Soul”. O álbum é recheado de baladas do início ao fim. Cerca de 90% das faixa servem como um novo “capítulo” dessa história que SZA narra.

O disco de SZA soa como um projeto imersivo e suas canções se encaixam uma na outra, sendo uma obra que deve ser ouvida do início ao fim. O fato de ser um álbum de de R&B lançado no século 21 deixa a experiência ainda mais gostosa, já que são canções bem calmas, bem diferente de tudo que toca hoje em dia.

Ctrl - SZA | Músicas Amino (Oficial) Amino

“CTRL” é uma obra muito interessante, talvez por soar como uma daquelas rádios de Hip-hop Lo-fi – absolutamente todas as canções são muito boas em relação ao instrumental. Já seu conteúdo escrito é outra coisa. Nesse quesito o álbum apresenta alguns altos e baixos que iremos ver de forma mais aprofundada.

Ja na primeira canção, “Supermodel” conseguimos entender qual é a do conteúdo abordado no disco. A faixa fala sobre como SZA se sentiu mal por ter sido traída por seu ex. A cantora segue o disco falando sobre como sua autoestima foi abalada por esse acontecimento e até mesmo por conta de outros fatores estéticos da sociedade. “Love Galore”, com Travis Scott, segue esse mesmo conceito.

“Doves In The Wind” é uma das poucas faixas que não segue essa linha de raciocínio, já que é uma música que celebra as vaginas. Na letra a cantora, junto do rapper Kendrick Lamar, fala sobre como alguns homens não merecem as vaginas, por não serem dignos o bastante.

A faixa “Drew Berrymore” desenha melhor esse conceito de “Nunca Fui Beijada”. A música é uma balada romântica que fala sobre ser trocada por outra. SZA se inspira em um acontecimento real e descreve uma festa, para qual ela foi convidada, porém o garoto que a convidou a ingora e prefere estar com outra. Então ela usa sozinha toda a maconha que comprou enquanto se sente mal e com a autoestima baixa.

“The Weekend” é a faixa mais famosa da obra, por ter um refrão bem chiclete e uma letra bem peculiar. SZA volta a falar sobre ser traída, mas conta a história de outra perspectiva. No refrão ela diz “Meu homem é meu homem, é seu homem, soube que é o homem dela“, nos levando a entender que o garoto com quem namorava a traía com duas outras meninas.

“Go Gina” vem logo em seguida, e devo confessar que é uma das minhas favoritas. A música faz alusão ao seriado norte-americano “Martin”, dos anos 90. SZA se vê no lugar da personagem Gina, que é uma mulher extressada e muito trabalhadora. A música também fala sobre como as fofocas estragam seu dia, mas também aborda a sexualidade da cantora.

“Broken Clocks” é outra faixa muito divertida, essa mais pessoal, onde a artista descreve um momento muito importante de sua vida, quando a mesma trabalhava em um clube de strippers como bartender, e precisava conciliar seu tempo de forma a não ficar tão exausta e ainda ter tempo para dar atenção ao garoto que amava.

O álbum segue essa mesma narrativa sobre lidar com novos relacionamentos e se frustrar em relação ao amor. SZA também descreve momentos onde ela se vingou de seu ex fazendo sexo com o amigo dele. E mesmo com toda essa bagunça em sua vida e com o desenrolar de sua carreira, a cantora nunca desiste do amor. É isso que ela descreve em “Pretty Little Birds”, onde diz ser como uma Fênix e sempre renascer das cinzas.

O álbum é encerrado com a música “20 Something”, que tem um instrumental semelhante ao de “Supermodel”, essa tem uma letra bem nostalgica onde SZA diz não querer envelhecer, e deseja ter 20 anos para sempre.

sza-ctrl-back - Rimas e Batidas

Ao decorrer do disco percebi que Solána tem uma visão muito distorcida sobre si mesma. A cantora não quer ser vista como uma mulher boa de cama, mas como alguém que pode ser amada. A faixa “Normal Girl” descreve bem essa sensação. “CTRL” é sobre a busca por amor próprio, e mesmo com o encerramento do disco, não se vê essa autoaceitação, apenas um resquício de esperança.

Ouça o álbum na íntegra:

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