Dando uma chance ao “Pop 2” de Charli XCX | Conversando sobre PC Music

Há quem diga que Sophie foi a real responsável por viralizar o estilo musical Pc Music, quando trabalhou com Madonna em seu hit “Bitch, I’m Madonna” de 2015, mas se Sophie é Deus, Charli XCX é nosso Jesus alternativo que veio espalhar a mensagem da santa Pc Music para nós mortais.

Em 2015 a cantora britânica estava colhendo os frutos de seu álbum “Sucker’, lançado um ano antes, e ainda fazia músicas Pop farofa. Esse é, inclusive, seu álbum mais mainstream até então, elevando o conceito de Pop chiclete lá no alto. Até sua arte de capa trás essa sensação doce (Charli segurando um pirulito em formato de coração escrito “Sucker” em um fundo rosa).

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Nota:

7,8

A PC Music divide muitas opiniões, principalmente por ser um estilo novo – e tudo que é novo o pessoal torce o nariz – e também por ter músicas um tanto “barulhentas”. O gênero musical trouxe bastante inovação para o cenário musical e lançou bons artistas, como a própria Sophie, Grimes, Caroline Polachek, Poppy, entre outras.

Artistas independentes estão tendo cada vez mais local de fala, pois a principal característica da PC Music é a forma “fácil” como as músicas são criadas, e qualquer um que se interesse pode criar sua própria canção, sem precisar ter conhecimento em teoria musical aprofundada ou saber tocar instrumentos, igual ao gênero Lo-Fi, que é algo barato e simples de se produzir.

Charli XCX já vinha fazendo alguns experimentos em 2016 quando lançou seu EP “Vroom Vroom”, com canções ácidas e letras de duplo sentido. Em 2017, porém, a artista resolveu investir em uma identidade mais sólida, mas ainda experimentando sons diferentes. Foi então que nasceu o “Pop 2”, sua mixtape que conta com mais de 10 outros artistas que cantam junto com a fada do autotune.

Charli XCX faz pop futurista e promove anarquia eletrônica em ...

Com 10 faixas, muito modulador vocal e um baixo bastante presente durante todas as faixas, a mixtape de Charli tem muitos altos e baixos, melodicamente falando. As letras seguem um conceito só e permeiam o mesmo assunto: um término de relacionamento e o posterior acolhimento por parte de seus amigos.

A faixa que dá início ao disco é “Backseat” em colaboração com a rainha Carly Rae Jepsen. A canção conta com graves bem pontuados e bastante sintetizador. Charli e Carly cantam sobre aquela sensação bizarra quando sentimos que estamos deixando de amar alguém.

“Out Of My Head” é mais dançante e comercial do que a anterior e conta com os vocais de Tove Lo e ALMA. Na letra as cantoras falam sobre beber e se drogar tanto ao ponto de retirar os pensamentos tristes da cabeça à força.

“Lucky” é a primeira faixa solo do disco, onde Charli exibe seus vocais modulados em contraste com o baixo da música. A canção soa como um telefonema que a artista faz ao cara de quem gosta, mas é como se ele não estivesse do outro lado da linha, dando a entender que ele não liga mais para ela. Na inha opinião é a faixa mais descartável da obra.

listen to Charli XCX's Pop 2 mixtape

“Tears” tem uma das melhores composições em relação ao sentimentalismo entregue na letra. A canção em colaboração com Caroline Polachek trás não apenas um, mas dois vocais modulados, já que Caroline também gosta de brincar de robô. A letra sugere aquele sentimento de vazio que fica logo após o término.

A faixa “I Got It” é uma espécie de hit farofa, com influências do Hip-hop. A música é em colaboração com a nossa drag Pabllo Vittar, a Brooke Candy e a cupcakKe. A letra não tem nenhuma mensagem em especial, fala mais sobre ostentação e sex appeal, o foco vai para o arranjo instrumental.

“Femmebot” traz uma das composições mais inteligentes do disco, pois fala sobre a objetificação da mulher, mas de forma super irônica e ainda conta com diversas referências do cinema cult. Junto de Mykki Blanco e Dorian Electra, Charli mescla uma incrível melodia dançante com uma letra bem pensada.

Charli XCX - Femmebot (Special Japan Version) - YouTube

“Delicious” é uma colaboração de Charli com Tommy Cash e apresenta batidas bem envolventes junto de um baixo bem articulado. A produção também proporciona ao ouvinte uma experiência bem interessante, principalmente quando se utiliza de headphone pata ouvir a faixa. A letra é sobre uma espécie de “recaída” sexual, que ocorre quando Charli sente falta de seu ex, mas é só ela se tocar que rapidinho passa.

Logo após vem “Unlock It”, uma feat. com a diva Kim Petras e o rapper coreano Jay Park. A música é bem fofinha e possui notas bem agúdas e adocicadas. Em realção às outras faixas do disco, essa é mais otimista e fala sobre a descoberta de um novo amor.

Já a canção “Porsche” volta a tratar do término e a sensação desconexão do ex-casal. Charli e MØ mandam uma bela de uma mensagem estilo “7 Rings”, deixando bem claro que por mais que o romance tenha acabado, ela ainda tem uma carreira consolidada e bastante dinheiro, e que quando seu ex vier encher o saco ela vai ligar o motor de seu Porche pra abafar seu discurso.

O álbum é encerrado com a demo “Track 10”, que faz parte de seu álbum de 2019 “Charli”, com o novo título de “Blame It On Your Love”. Na faixa, que tem bastante experimentalismo de produção, Charli fala sobre ter dificuldades para se relacionar com outras pessoas por conta da relação com seu ex. Nesta música apenas Charli canta, mas na versão de 2019 ela é um feat. com a Lizzo.

A mixtape “Pop 2” se tornou um marco na cultura Pop por conta de sua despretenção de hitar, não que seja um grande sucesso, mas todo mundo que ouve música Inide já ouviu pelo menos alguma das faixas. Acredito que parte de seu sucesso se deva às inumeras colaborações, mas ainda sim há elementos inovadores na produção. O disco foi um grande teste em sua carreira e podemos notar a evolução de seu som no álbum “Charli” de 2019, seu último lançamento até então.

Ouça na íntegra:

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