Tudo o que você precisa saber sobre a era “Like A Prayer” da Madonna

“Like a Prayer” é o 4º álbum da Madonna e foi lançado em março de 1989, sucedendo o bem sucedido “True Blue”. O disco é marcado na carreira de Madonna como “O álbum do divórcio”, pois este veio após a separação da cantora e o ator Sean Penn.

Sean Penn nunca foi um marido exemplar, apesar de que eles eram o casal mais comentado da época, e durante os shows da turnê “Who’s That Girl” de Madonna, o ator foi preso por agressão a um fotógrafo. Após o fim da turnê, houve um episódio em que ele supostamente agrediu Madonna, mantendo-a presa em uma cadeira e até colocando sua cabeça dentro de um forno.

Мадонна с первым мужем Шоном Пенном в 1980-х годах

O divórcio foi um acontecimento trágico na vida de Madonna, principalmente pelo fato do disco “True Blue” ser todo dedicado ao amor que ela sentia por seu marido. Esse acontecimento ficou sendo discutido por muitos e muitos anos, mas por algum motivo Madonna desmentiu tudo, apenas em 2015.

Leia também: Madonna – True Blue (Crítica)

Alegações a respeito de um suposto incidente ocorrido em junho de 1987, em que, de acordo com tabloides, Sean teria me agredido com um ‘taco de basebol’. Eu sei que as alegações nessas reportagens são ultrajantes, maliciosas, imprudentes e falsas.” – Disse Madonna.

Durante, e após, o divórcio, Madonna esteve trabalhando em seu novo álbum que, diferente de “True Blue”, não falava sobre o amor. Esse explora tudo de inesperado que você pode deduzir sobre a cantora, desde a religião, sua relação com o pai, seus amigos, a aids e seus sentimentos quanto a mãe.

Antes do lançamento oficial do disco, a cantora assinou um contrato com a Pepsi para produzir um comercial que beneficiaria ambas as partes, já que nessa propaganda tocaria um trecho da música “Like A Prayer”, mas após o lançamento do clipe oficial da música aconteceu uma polêmica.

O clipe da música “Like A Prayer” se tornou um dos mais polêmicos de toda a sua carreira, por mostrar símbolos religiosos sendo usados de forma sensual, cruzes pegando fogo e um santo negro. O Vaticano emitiu um comunicado oficial pedindo que os fiéis boicotassem a Pepsi e a própria Madonna.

Após o boicote a Pepsi encerrou o contrato com Madonna. A cantora então recorreu à justiça e ganhou um bom dinheiro por conta dos danos morais e a quebra de contrato. Esse dinheiro foi usado para a promoção do disco e para investir em sua icônica turnê “Blond Ambition”.

Nesse momento Madonna tinha passado de uma cantora teen para uma mulher madura e muito polêmica. A arte de capa do disco provoca o catolicismo ao mostrar o umbigo de Madonna, junto de artigos religiosos usados como jóias sensuais.

A primeira remessa de discos de vinil e cds de “Like A Prayer” vinha com um perfume, a essência de patchouli, que lembrava o aroma comum dentro de igrejas católicas. Junto do CD Madonna mandou imprimir um folheto falando sobre os perigos da AIDS, que nos anos 80 era vista como “doença dos gays”.

Falando agora sobre a sonoridade do disco, Madonna traz referências da música góspel junto do Pop Rock com algumas influências da música Disco. O cantor Prince, uma lenda da música e amigo da cantora, também trabalhou no disco. A guitarra de “Like A Prayer” é tocada por ele.

O álbum é aberto com a faixa título. Uma música com referências do Gospel, mas com bastante guitarra e baixo. A cantora usa o ato da oração como metáfora fazer sexo oral. “Estou de joelhos e quero te levar até lá“. Na apresentação ao vivo a cantora encena um exorcismo.

“Express Yourself”, que originou “Born This Way” da Lady Gaga, é na verdade um hino feminista de amor próprio, que conta com influências da Dance Music. Para o vídeo-clipe Madonna se inspirou no clássico “Metropolis” de Fritz Lang, do ano de 1927.

“Love Song” é a terceira faixa, mas o que muitos não sabem é que se trata de uma colaboração com Prince. É uma música bem experimental dentro do disco em questão de sonoridade. Apesar do título, a canção fala sobre um relacionamento em ruínas que não está mais dando certo.

“Till Death Do Us Part”, literalmente “até que a morte nos separe”, é uma das músicas mais tristes da obra, pois detalha as brigas dela com o Sean. É uma música sobre divórcio, mas na verdade sobre o motivo desse divórcio. “Ele bebe ela entra, ele começa a gritar, os vasos voam“.

“Promisse To Try” é uma balada emocionante, e com uma letra muito triste que fala sobre a mãe de Madonna, de quem ela tem muita saudade. A mãe da cantora morreu em 1963 e na letra Madonna questiona se ela está olhando por sua família.

“Cherish” é a 6º faixa. É uma canção super fofa que fala sobre estar feliz ao lado de alguém que ama, não importa quem. A mensagem principal é sobre valorizar quem te ama a cima de tudo. O clipe é bem fofo, mostrando um curta-metragem onde a cantora encontra uma sereia na beira da praia e se apaixona por seu pai, um tritão.

“Dear Jessie” é uma canção infantil dedicada à filha de seu amigo e compositor Patrick Leonard, chamada Jessie. A música foi escolhida como single e sua letra é encorajadora. Seu clipe é animado.

“Oh Father” é outra balada muito emocionante e bem triste que aborda a relação destrutiva que Madonna teve com seu pai após a morte da mãe. Mais tarde a canção foi regravada pela cantora Sia. O clipe da música também é muito triste e bem angustiante.

“Keep It Together” é a próxima faixa, é uma canção influenciada pelo Hip-hop, que estava começando a entrar em alta na época. A música fala sobre a importância da família, que foi quem a apoiou após seu divórcio. Mas a família pode ser composta por seus amigos também.

“Spanish Eyes” é mais uma das lindas baladas de Madonna – esse é um dos discos dela com mais baladas depois do “Bedtime Stories”, até então Madonna não investia tanto nelas. A música é uma homenagem aos seus dois amigos que morreram de aids, Martin Burgoyne e Keith Haring.

A faixa que encerra o disco é a assustadora “Act of Contrition”, que é um remix de “Like A Prayer” tocado de trás pra frente, enquanto Madonna recita a oração católica do perdão. Ela começa a gritar como se estivesse nos portões do paraíso e não pudesse entrar – bizarro!

Para a promoção do disco, Madonna saiu em turnê com a “Blond Ambition World Tour”, que de world não tem nada, pois nem no Brasil passou. A tour teve figurinos incríveis e em sua passagem pelo Canadá Madonna quase foi presa por conta da performance de Like a Virgin.

Durante a live da música Madonna insinuava masturbação em cima de uma cama. No final não deu em nada. Cerca 90% dos dançarinos da tour eram gays, e após a turnê alguns chegaram a processá-la por algumas cenas presentes no documentário “Truth Or Dare”. O caso é explicado em um documentário recente chamado “Strike A Pose”, que mostra esses dançarinos nos dias atuais. O famoso vestido com sutiã de cone foi assinado pelo estilista Jean Paul Gaultier.

A tour divulgava, além de seu álbum “Like A Prayer”, o disco inspirado no filme “Dick Tracy”, chamado “I’m Breathless”. É nesse álbum que contém a faixa “Vogue”, que mais tarde se tornaria uma das maiores músicas da história. É importante saber que “Vogue”, além do nome da revista, é um estilo de dança popularizado entre os gays norte-americanos. Gay os descobriu e os contratou para dançar em sua turnê.

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