Hayley Williams – “Petals For Armor” (Crítica) | Ainda há esperança!

Lançado em 8 de Maio pela Atlantic Records, “Petals For Armor” é o primeiro álbum solo de Hayley Williams. A cantora sempre foi bem conhecida no meio Pop, por conta de sua famosa banda “Paramore”, que vinha passando por altos e baixos.

Após o disco “After Laughter” de 2017, que também foca no tema da saúde mental, a vocalista decidiu dar um tempo pra sí mesma e começou a compor sua obra.

Nota:

8,4

Inspirada por seu divórcio, sua depressão e sua auto-descoberta, Hayley criou uma obra otimista, que cresce aos poucos e transmite diversas mensagens de esperança para seus fãs. A cantora passou por poucas e boas após seu divórcio, e essa era está cheia de easter eggs.

A começar pela capa que simboliza o final de um ciclo, pois mostra uma foto frontal de Hayley com alguns quadrados que começam em seus dedos e terminam no rosto. Esses quadrados (dos dedos) estão nos lugares onde ficavam as tatuagens das iniciais do ex marido da cantora.

A sonoridade do disco em geral ronda o Rock Alternativo, mas passeia por diversos gêneros, como a música eletrônica, o R&B, o Punk Rock, etc, mas ainda assim, todas as canções são complementares e não soam tão diferentes umas das outras.

O disco é dividido em três partes, que foram lançadas de forma separada, em formato de EP’s. A primeira parte traz um trabalho visual que conta com três vídeo-clipes que se completam e contam uma história de renascimento e superação. Esse EP é bem focado na saúde mental de Hayley.

O álbum é aberto com a faixa “Simmer”, que é trabalhada em cima do Groovy, tendo uma linha de baixo muito presente por toda a canção. Hayley trava uma guerra emocional contra si mesma e fala sobre os problemas com a ansiedade, depressão e sua baixa auto estima – Além dos clipes, também tem interludes no Youtube que ajudam a entende-los melhor.

Logo após temos “Leave It Alone”, que já é uma música mais calma, com um instrumental um pouco neutro e calmo. Sua letra é realmente triste e muito pesada, pois fala sobre o luto. Hayley canta sobre sempre perder as pessoas que ama, como seus parentes, e até mesmo amigos.

A terceira faixa é a recém-lançada “Cinnamon”. Essa é uma das que chega mais próxima do som que o Paramore faz, e mesmo assim é singular. Sua letra descreve diversos casos atuais de home alone, onde Hayley descreve o sentimento de estar só e se sentir confortável com a própria presença, alegando estar livre.

“Creepin’” é a quarta faixa, seu arranjo começa acústico e logo ganha algumas batidas e um ritmo mais pop. É, talvez, a faixa que os fãs mais irão gostar por conta de seu instrumental mais voltado ao mainstream. Hayley canta sobre uma espécie de “vampiro” que suga sua energia, lhe trazendo lembranças ruins. A canção pode ser uma metáfora sobre uma relação abusiva, já que em um dos trechos a cantora fala que é algo que começa de forma simples e inocente e depois você já não sabe como desistir dessa situação.

Depois temos “Sudden Desire”. Sua melodia cresce e diminui conforme as estrofes. O refrão é explosivo e grita todos os sentimentos de Hayley. É a única faixa onde a vocalista realmente solta seus poderosos vocais. Sua letra é bem pessoal e fala sobre sentir um súbito desejo de estar com alguém amorosamente. Especula-se que a canção seja sobre seu ex-marido.

O segundo EP “Petals For Armor II” conversa mais sobre o divórcio de Hayley. A cantora também explora o tema da traição, já que ela um dia foi a amante de seu ex.

Em “Dead Horse” Hayley utiliza de cânticos africanos como base de sua faixa. É uma música incrível de Pop Rock, mas sua letra é bem profunda. A cantora fala sobre ter sido traída, mas entende que mereceu isso, pois ela já foi a amante de seu ex-marido. O conceito da canção é entender quando é hora de abandonar o barco.

“My Friend” é a próxima faixa, e assim como o título sugere, Hayley dedica a música ao seu amigo Brian O’Connor. É uma balada muito bonita, o instrumental é mais arrastado e sua letra é uma poesia sobre reconhecer a amizade de alguém especial. A canção foi usada como single.

Logo após temos “Over Yet”, que é uma música bem agitada com influências do movimento Punk. Apesar de ser uma faixa bem animada, com uma letra esperançosa, eu senti que foi a menos trabalhada até então, mesmo assim a mensagem que a vocalista passa é incrível. Para a divulgação, Hayley lançou um vídeo de exercícios.

Chegamos então em “Roses/Lotus/Violet/Iris”, também escolhida como single. Hayley colabora com o supergrupo Boygenius na faixa. A canção é sobre feminismo, comparando o movimento à um jardim, em meio há lindas poesias sobre auto-desenvolvimento. É uma música realmente muito linda.

“Why We Ever” é a minha favorita. É uma balada sobre desconectar-se de algo do seu passado. Hayley canta sobre esquecer a pessoa que a machucou tanto. A cantora também menciona seus surtos emocionais quando tentou se machucar.

A terceira parte fala mais a respeito da recuperação de Hayley em relação à depressão e a chegada de um novo amor.

A faixa “Pure Love” fala exatamente sobre se sentir vulnerável o suficiente para iniciar uma nova relação e se sentir aberta a um novo amor. A cantora investe em uma sonoridade próxima do R&B. Lembra um pouco as canções do Michael Jackson da década de 80.

“Taken” segue o álbum com um clima mais otimista em relação ao amor. Hayley nos conta que está comprometida e está muito feliz sim, obrigado. É uma música muito bonita com uma sonoride que lembra bastante a nossa Bossa Nova.

“Sugar On The Rim” é uma canção bem peculiar e experimental. Que curte música eletrônica vai gostar bastante, pois lembra um pouco de New Order. Hayley está cantando sobre mostrar seu pior lado e suas feridas para seu namorado, para que assim ele saiba onde está se metendo.

“Watch me While I Bloom” conversa com a faixa “Roses/Lotus/Violet/Iris”, em relação a criar metáforas sobre feminilidade e flores. Desta vez a cantora está falando sobre amadurecer e se sentir viva novamente após o período de depressão.

O álbum é encerrado com a faixa “Crystal Clear”, que lembra um pouco das produções do Declan Mckenna em relação ao uso de sintetizadores. A letra finaliza o disco de uma forma super positiva. É uma música sobre recomeços e novas tentativas. Hayley promete a si mesma que não cederá ao medo.

“Petals For Armor” é um dos melhores trabalhos lançados esse ano, sem exageros. Hayley Williams ainda trabalha com Taylor e Zac, que só tem a acrescentar na obra. O álbum é uma imersão ao mundo de uma pessoa que já não vê cor em sua vida, mas ainda tem esperança em ser feliz.

Ouça na íntegra:

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