Lady Gaga – “Chromatica” (Crítica) | Uma História de Autocontrole

Após movimentar o mundinho pop com seu retorno em ‘Stupid Love‘ e ‘Rain On Me‘, Lady Gaga lança o seu tão aguardado sexto álbum de estúdio. Intitulado ‘Chromatica‘ o disco promete conduzir seu ouvinte a outra realidade – onde tudo é possível. Contando ao mesmo tempo uma história de superação e muita garra por parte da artista.

The chameleonic queer power of Lady Gaga - i-D

Nesse trabalho, Gaga teve como parceiros os DJs Axwell e Skrillex abrilhantando ainda mais esse projeto. Mas quem comandou toda a produção junto com a cantora foi o americano BloodPop, já conhecido por seus trabalhos com o cantor Justin Bieber e com a própria artista em seu quinto álbum de estúdio.

Chromatica conta com 13 faixas + 3 interludes, pensando num modo geral o álbum nos carrega de volta aos anos 90 – bem dance. O mesmo não deixa a desejar quando o assunto falado é melodias e letras pesadas que passam uma certa mensagem de conquista e uma reconstrução total de imagem da própria Gaga.

Lady Gaga talks Chromatica album concept and more with Zane Lowe ...

Chromatica I – é a primeira interlude que ouvimos antes do inicio do álbum, de cara nos remete ao começo de algo grandioso que está por vir. Acaba soando até como uma pequena vinheta de filme que nos conduz para o mundinho pop de Gaga.

Alice – primeira música na sequencia do tão aguardado disco, assim como já era esperado, letra e o titulo usado fazem em conjunto referencia a “Alice no País das Maravilhas“. Na canção Gaga deixa claro – “Meu nome não é Alice, mas eu ainda procuro o País das maravilhas“, ou seja a artista se permite sonhar mesmo em tempos conturbados, mesmo que seja para fugir de seus problemas atuais. O arranjo não deixa a desejar, e os beats acabando mexendo com nossas sensações ao escutar a faixa, além de Gaga nos entregar o melhor vocal possível.

Stupid Love – a faixa já vem rasgando elogios desde seu lançamento como primeiro single do novo disco da cantora. Essa canção nos mostra o melhor do pop atual levando a gente para um incrível looping infinito onde saudamos o amor, a paz, e a amizade dos seres. Produzida por Max Martin o sucesso não poderia ser diferente, unindo o útil ao agradável.

Rain On Me Feat Ariana Grande – essa pode ser considerada uma das melhores faixas do ‘Chromatica’ de longe, faz tempo que não vimos na industria uma parceria tão forte quando a dessas duas artistas brilhantes. A canção canta sobre aceitar o que você é e o que ainda está por vir, é como se fosse um hino de autoaceitação das duas para elas mesmas (um descarrego dos maus sentimentos) – “Eu preferia estar seca, mas pelo menos estou viva / Chova em mim, chova, chova / Chova em mim”, cantam Gaga e Ari ao longo dos três minutos e dois segundos da música.

Lady Gaga e Ariana Grande lançam clipe de 'Rain On Me'; assista

Free Woman – faz a gente voltar ao passado de Gaga onde a mesma ainda não era conhecida pelo grande público, mas precisamente quando a artista sofreu um abuso sexual aos 19 anos de um produtor que trabalhava em parceria. Por mais delicado que seja falar sobre esse assunto, a cantora nos mostra que se curou de tudo aquilo que um dia chegou a te fazer mal, mantendo-se focada em sua verdadeira música, após também buscar auxilio na dança.

Fun Tonight – pode ser considerada um mantra para o álbum inteiro – é algo a se pensar. Gaga tenta sair de uma “deprê” que ela mesma se colocou, fazendo questionamentos sobre o poder de seguir em frente mesmo tendo várias barreiras impedindo esse processo – “Talvez seja a hora de dizermos adeus, porque estou me sentindo do jeito que eu me sinto, me sinto com você / Eu não estou me divertindo esta noite“, ecoa a cantora meio a batidas leves. Acredito que a canção seja como um passagem do que a mesma vivenciou e que agora pode SIM seguir, sem problemas futuros e tudo bem não estar bem em certos momentos.

Chromatica II – essa interlude nos conduz perfeitamente ao que esperar do próximo bloco do álbum, trazendo um instrumental mais pesado e cheio de sensualidade.

911 – estamos de volta ao ‘Born This Way‘? A canção é um das mais bem produzidas do álbum, o arranjo soa extremamente coeso quando junto aos vocais de Gaga cantando na sua melhor forma robô possível. Nessa a artista canta sobre um pedido de socorro e a vontade que tem de ficar em fim sóbria dos remédios que toma, fazendo grande referência aos antipsicóticos que ainda usa – “Meu maior inimigo sou eu desde o primeiro dia
Disque 911, e então depois tome outro tipo de ajuda
“, canta a artista. As batidas da música são bem lineares e formam um som bacana de ouvir.

Lady Gaga volta a ser a rainha do pop dançante com 'Chromatica'

Plastica Doll – batizada e produzida por Skrillex a canção não é nada parecida com alguns dos trabalhos anteriores do artista. Só de ver o nome do DJ envolvido na produção já imaginamos batidas com um super hipe, mas nessa definitivamente não vemos isso. O que encontramos aqui é uma música super bem tratada e pensada para parecer o mais suave possível ao seu ouvinte, levando em conta que a letra é sobre objetificação da mulher num geral, tratando o assunto da forma que deve ser tratado e abordado para conhecimento de todos.

Sour Candy Feat BLACKPINK – não é novidade para ninguém que o K-pop está dominando o mundo nos últimos tempo, e Gaga mais que ninguém sabe disso, a artista foi sabia em investir nessa parceria de modo geral. A faixa foi comparada a ‘Swish Swish’ de Katy Perry, porém de parecidas não tem nada apesar das duas usarem o mesmo sample em suas bases, a música é extremamente divertida e nos leva direto pra pista de dança nos primeiros versos, afinal tudo bem o doce ter um pouco de amargo no final – já diria a letra.

Enigma – um fato dessa é que foi um das primeiras músicas escritas para esse novo projeto, sua sonoridade não deixa a desejar e nos trás o melhor do pop eletrônico. Além de ser inevitável a comparação do titulo com o nome de seus show’s em Las Vegas, mas a letra fala sobre a cantora ser um enigma para os outros e para si, enquanto faz uma linha do tempo com pensamentos totalmente fora dos padrões.

Replay – essa chega com uma pegada mais puxada para o eurodance, mas acaba deixando tudo mais sombrio, tanto melódia quanto letra, o clima parece estar mudando quando chegamos nessa faixa – “As cicatrizes em minha mente estão se repetindo, repetindo / O monstro dentro de você está me torturando“, canta Gaga quase gritando.

Chromatica”: primeiras impressões num faixa a faixa do novo álbum ...

Chromatica III – nesse instrumental já percebemos que o clima é realmente de despedida do disco e que o final está próximo.

Sine From Above Feat Elton John – após algumas batidas eletrônicas pesadas, Gaga nos permite escutar essa parceria de extrema classe com o cantor e compositor Elton John. A faixa é o mais teatral possível, intercalando os vocais quase que perfeitos de Elton e Gaga meio a batidas um tanto quanto curiosas. Já a letra retrata um pouco sobre a saúde mental da artista e como ela lida com isso nos dias atuais, porém de uma maneira filosófica – “O som criou estrelas como eu e você, antes de existir amor, havia silêncio / Eu ouvi um sinal, e isso curou meu coração, ouvi um sinal / Curou meu coração, ouvi um sinal“, canta a artista fazendo referência a alguma intervenção divina.

1000 Doves – até a chegada dessa faixa as coisas parecem tomar uma forma quase que mistica em seus significados, Gaga agora está mais segura de si e pode falar sobre o que bem entender sem pensar muito nas consequências disso. Conseguimos entender totalmente o que a artista gostaria de passar para nós ouvintes com tais versos, agora a mesma está livre e em paz com tudo e todos, sem depender de aceitações de terceiros a não ser de sua própria aceitação. Confira os versos:

Eu tenho sofrido, presa dentro de uma gaiola
Tanto que meu coração está furioso
Se você me ama, então me liberte
E se não, então amor, vá embora
Me liberte

Me levante, me dê uma ajuda
Porque eu estive voando com uns braços quebrados
Me levante, apenas um pequeno empurrão
E eu voarei como mil pombas

Lady Gaga Chromatica

Babylon – essa é a última faixa do álbum e precisamente nessa canção eu consigo sentir referências precisas de músicas lançadas anteriormente pela artista como: Black Jesus † Amen Fashion e Electric Chapel. Sua sonoridade é bem anos 90 sem dúvidas, e poderia estar claramente em qualquer desfile de moda atual, podendo ser até uma Vogue 2.0, todo o arranjo é bem sutil e faz com que o ouvinte queira mais e mais. O final dessa música nos leva de forma magistral ao termino do álbum.

Falando de um modo geral, o Chromatica cumpre o que promete desde o inicio ao fim, é um álbum feito e pensado para as pessoas extravasarem e jogarem todos seus problemas para o lado e pensar pelo menos por um momento em sua própria felicidade, quanto pessoa e quanto sociedade, Gaga nos mostra que se divertir não é tão difícil como parece ser e até nos concede algumas dicas ao longo dos 43 minutos do disco. Por fim é um projeto extremamente eficaz e coeso.

9/10 – Nota.

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4 comentários sobre “Lady Gaga – “Chromatica” (Crítica) | Uma História de Autocontrole

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