Chloe X Halle – Ungodly Hour (Crítica) | A luz e as trevas

A ano de 2020 está sendo péssimo em relação a saúde mundial, isso é fato, mas não podemos negar que os lançamentos musicais estão cada vez melhores. As meninas dos olhos de Beyoncé, vulgo Chloe e Halle Bailey lançaram seu segundo álbum em estúdio, o “Ungodly Hour”, em 12 de Junho. O disco havia sido prometido para o dia 5, mas em decorrência do movimento #BlackLivesMatter houve a necessidade do adiamento.

Nota:

7,8

“Ungodly Hour” passou antes pelas mãos de Beyoncé, uma vez que a veterana é dona da gravadora Parkwood Entertainment, na qual as meninas possuem um contrato. As irmãs Bailey alegaram que a Queen B aceitou o projeto sem pestanejar e sem fazer nenhuma anotação acima dele, o que as deixou bem contentes.

O disco traz uma pegada mais adulta, já não são as mesmas garotinhas pré-adolescentes que faziam covers de canções da Beyoncé em seu canal, agora Chloe e Hayley são adultas e querem cantar sobre sua realidade, sua sexualidade e sobre suas vidas. A ideia do título e da capa é justamente a de não ligar sua imagem com a de anjos puros, pois elas não são santas.

Com a produção assinada por Lauren Baker, dentro do disco encontramos todo tipo de gênero musical, sempre voltados ao R&B em primeiro lugar. É o tipo de disco que matará sua saudade das Destiny’s Child. Tem muito do R&B do final dos anos 90 aqui, mas não apenas isso, como o Hip-Hop e uma pitada de EDM.

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O álbum é dividido em duas partes, marcadas por interludes, a primeira é a “Intro” que inicia o disco, onde podemos ouvir os vocalizes das cantoras e então uma delas fala “Nunca peça permissão, peça perdão”, logo então surge a canção “Forgive Me”, de cara uma das melhores da obra, onde elas cantam em um tom irônico sobre estarem arrependidas por não estarem mais em uma relação abusiva. A canção também pode ser lida como uma indieta para seus produtores.

“Baby Girl” vem em seguida, com uma vibe muito boa de hip-hop e na letra podemos ouvi-las cantar sobre o universo feminino em contraste com o masculino, já que as mulheres vivem uma realidade bem mais complicada que os homens.

A música “Do It” tem ótimas batidas que se encontram suavemente com os vocais graves das cantoras. É um disco cheio de vocalizes e teve um bom aproveitamento vocal de Chloe e Halle, sem soar exagerado. A letra é sobre a nova vida de celebridade que estão vivendo e como elas trabalham duro por isso.

“Tipsy” tem uma letra bem interessante e engraçada, pois Chloe e Halle falam que os homens que as tratam mal simplesmente somem do mapa, como se elas mesmas fizessem o serviço. A sonoridade é próxima do Hip-Hop e os vocais são mais falados.

A faixa-título aborda a sexualidade das cantoras de forma poética, como elas mesmas explicaram em entrevista para a Apple Music. A produção é assinada pelo duo Disclosure, que já trabalhou com Lorde e Sam Smith e tem um estilo de mixagem bem único.

Logo após vem “Busy Boy” que já é a minha favorita. Além do excelente uso dos sintetizadores e do refrão chiclete, a letra é a melhor parte. As irmãs Bailey contam uma história bem engraçada envolvendo suas amigas e um cara que dá em cima de todas elas ao mesmo tempo, mas é descoberto e acaba sendo rejeitado por elas.

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Em seguida temos a canção “Catch Up” em parceria com o rapper Swae Lee e o dj Mike WiLL. A produção dessa faixa é a que mais se aproxima dos hits atuais do Blues. Na letra os cantores simulam uma discussão sobre o fim de uma relação hipotética.

Então a segunda parte do álbum começa com a interlude “Overwhelmed”, onde as irmãs Bailey cantam sobre sua rotina apertada, agora que são estrelas da música, e logo começa a tocar “Lonely”, uma balada sobre o amor próprio e como é necessário tirarmos um tempo para nós mesmos.

A segunda parte do disco fala mais sobre sentimentalismo, diferente da primeira que é sobre a sexualidade das cantoras, como exemplo “Don’t Make It Harder on Me” que mostra um apego sentimental que Halle ainda tem por um amor do passado.

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“Wonder What She Thinks of Me” no entanto explora outra ideia de apego sentimental. A cantora Halle explica que essa faixa casa perfeitamente com a anterior, pois é sobre a mesma pessoa. A cantora disse em entrevista para a Apple Music que a canção fala sobre o ponto de vista de uma amante. Bem similar ao “CTRL” de SZA, não?

A faixa que encerra o disco é “ROYL”, a que eu menos gostei, particularmente falando. Chloe explicou a música na mesma entrevista: “Não importa que erros você cometa, apenas viva sua vida, vá em frente, divirta-se. Você não sabe quando é a sua hora de deixar esta terra, então apenas viva o resto da sua vida. ”

Minha opinião final sobre o álbum é que este possui alguns altos e baixos, mas ainda sim consegue se manter estável e coeso. É uma das melhores obras do R&B contemporâneo da atualidade, fincado atrás apenas do “After Hours” do The Weeknd. A produção é impecável e os vocais estão perfeitos, tenho certeza que ouviremos falar muito de Chloe X Halle.

Ouça o disco na íntegra:

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