O estranho “Debut” de Björk (Resenha)

Há mais de 25 anos a cantora islandesa Björk dava o passo principal para engatar em sua carreira solo. Apesar de seu disco de 1993 se chamar “Debut”, este é na verdade seu segundo álbum em estúdio, já que o primeiro foi lançado em 1977 e se trata de um disco autointitulado.

Apesar da artista ter se desenvolvido em meio ao Rock Alternativo com sua banda The Sugarcubes, o álbum “Debut” não carrega basicamente nada desses elementos do Rock. O disco foi lançado em 5 de julho através das gravadoras One Little Indian e Elektra Records. A produção ficou nas mãos de Nelle Hooper e da própria Björk que desde sempre vem criando conceitos diferentes para seus trabalhos.

A cantora vem de uma cena alternativa, logo seu primeiro disco traz bastante versatilidade entre os gêneros musicais explorados nas 11 faixas. O principal destaque é o estilo House e os elementos eletrônicos que o álbum apresenta, antes mesmo de Madonna pensar em lançar o “Ray Of Light”, que é considerado um dos primeiros LP’s Pop-Eletrônicos.

Para a época foi algo realmente inovador, principalmente por conta do conteúdo lírico que é totalmente diferente das canções Dance e R&B que estavam em alta na época. Algo semelhante é encontrado no Rock dos anos 70, mas 20 depois quem se lembra né?

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Nessa obra a cantora Björk se mostra muito interessada no comportamento humano e como a sociedade não faz nenhum sentido e há atitudes e pensamentos que simplesmente são inexplicáveis. É sobre isso a canção que abre o disco, “Human Behaviour”.

A faixa é seguida por “Crying” que segue o conceito da anterior, falando sobre como a cantora se sente apenas mais uma em meio a sociedade, remetendo ao sentimento de ansiedade. Ambas as faixas exploram o House.

O disco continua até chegarmos em “Venus As A Boy” que já nos introduz outro assunto: a sexualidade. Björk, em meio às cordas do Baixo estilo Jazz, canta sobre um toque masculino tão excitante que faz com que esse homem se assemelhe à Vênus, a deusa do amor.

A faixa “There’s More To Life Than This” trabalha com uma produção diferente. Na letra a cantora conversa com alguém e nesse diálogo, que é mais um monólogo, ela fala sobre fugir de uma festa que está muito chata e viver aventuras diferentes, mas bem loucas, o que casa com a música em si que soa como se ela realmente tivesse em uma festa, inclusive ela até entra no banheiro e a música dá uma pequena abafada.

A canção é continuada na faixa seguinte “Like Someone In Love”, que é a balada romântica definitiva da obra. O instrumental encanta por ser tocado em harpa e na letra Björk fala sobre estar sentindo todos os “sintomas” do amor e ela está bem com isso.

Chegamos então em “Big Time Sensuality” que é a faixa mais dançante do disco. A música não fala sobre sensualidade em uma conotação sexual, mas de forma íntima. Segundo o site Genius, a música seria sobre sentimentos primitivos de amizade.

“One Day” vem em seguida, com uma linha de baixo incrível que lembra bastante as usadas por Madonna em “Bedtime Stories”, canção composta por Björk. Na letra a cantora apenas fala sobre um evento fenomenal que irá acontecer apenas quando todos (da terra) estiverem prontos. É uma composição sem muita explicação por trás.

Logo após vem a canção “Aeroplane” que começa com solos de saxofone em estilo de Jazz. Björk grita seu amor para o homem o qual ela ama, mas conforme as linhas podemos perceber que se trata mais de uma carência emocional do que amor de verdade.

Temos então “Come To Me” onde a artista se coloca em uma posição mais acolhedora, dando a entender que faixa é direcionada a alguém específico pois ela diz “Você sabe que eu amo você. Portanto, não me faça dizer isso”.

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“Violently Happy” soa como uma continuação de “Aeroplane”, pois também fala sobre uma necessidade gigantesca de afeto por parte do eu-lírico. Björk canta sobre amar muito uma pessoa que infelizmente não está com ela nos momentos de mais necessidade emocional.

O disco é encerrado com a música “The Anchor Song” que de todas é a mais inspirada pelo Jazz e Blues. Na letra, de forma muito metafórica, a cantora fala sobre mergulhar em um lago e se ancorar nele. Björk explica para a MTV que a letra fala sobre sua necessidade de viver próxima da água.

Percebemos então que Björk já começou sua carreira nadando bem contra a maré, e mesmo assim deu super certo, pois em apenas 3 meses de lançamento o álbum alcançou mais de 600 mil cópias vendidas, quando a gravadora previa vendas de até 40 mil unidades.

“Debut” é um disco em que se precisa prestar bastante atenção nos instrumentais, pois muitas vezes eles passam mais emoção do que os vocais e até a própria letra. É um álbum magnífico que revolucionou a indústria da música alternativa.

Ouça na íntegra:

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