Positions: Ariana Grande entrega vocais, sensualidade e bastante sentimentalismo

Pode-se dizer que Ariana Grande é a Britney Spears da nossa geração. A princesinha do pop foi uma grande estrela teen nos anos 2000 e muito se especulava sobre a sua sexualidade. Britney então escreveu algumas canções sobre, como ” I’m Not A Girl, Not Yet A Woman” e a sensual “I’m Slave 4 You”, tudo isso pra provar que, por mais que seu rosto e seu corpo fossem joviais, ela já era uma mulher madura.

Ariana, em contraste, foi bastante infantilizada em “Victorious” e tanto a mídia, quanto seus fãs, a pintaram como uma “cantora fofa”, o que funcionou por um tempo, mas desde “Dangerous Woman”, seu terceiro disco, a cantora vem mostrando muita sensualidade e expondo seus desejos sexuais a torta e a direita. Em seu álbum “Thank U, Next” a artista foi um pouco além, abordando seu estilo de vida inalcançável, mas “Positions” com certeza é a sua era “Erotica”.

Lançado em 30 de outubro de 2020, “Positions” é o sexto álbum da cantora Ariana Grande, sucedendo o lendário “Thnak U, Next”. A produção do disco ficou nas mãos de vários produtores, incluindo  Brown, Anthony M. Jones, London on da Track, Murda Beatz, The Rascals, Scott Storch, Shea Taylor e Charles Anderson. Também há muitos nomes envolvidos na composição das faixas.

Ariana Grande se aventurou por diversos tipos de som, variando entre R&B, Pop, Eletropop, Trap, Hip-hop, etc, mas é a primeira vez que a vocalista trabalha com instrumentais mais clássicos, envolvendo harpa, violoncelo, violinos, viola, baixo, guitarra e bateria. É um som mais intimista.

A artista tem se afastado do Dance Pop e do meio mainstream, focando em um R&B mais suave, inclusive, seus vocais estão mais maduros e menos estridentes. Os registros de falsete foram reduzidos para os vocais de fundo, lembrando bastante as canções de Mariah Carey, que se desenvolvem da mesma maneira.

O álbum possui uma dualidade em seu conteúdo lírico, ao mesmo tempo que a cantora quer falar sobre sua sexualidade, seus desejos e fantasias, também há canções que refletem sobre sua carreira e saúde mental. As faixas principais do álbum retratam bastante a forma como sua cabeça funciona.

“Shut Up” é a faixa que abre o disco, com um conjunto de cordas impecável, porém um tanto morna. A música fala sobre a mídia e como sua imagem é sempre levada em pauta, seu comportamento e os acontecimentos passados de sua vida. Ela então questiona se essas pessoas “fofoqueiras” não tem nada melhor para fazer e as manda calar a boca.

“34 + 35” é um dos destaques da obra, a favorita dos fãs. No clipe Ariana exibe um visual fofo e inocente, enquanto canta sobre fazer sexo a noite toda com seu namorado. A música em sua melodia não passa essa tensão sexual toda, logo, quem não lê a letra provavelmente a confunde com uma balda romantica.

“Motive”, em colaboração com a rapper Doja Cat, explora novamente seu lado sexual, questionando essa figura masculina que foi presente em sua vida sobre o motivo de ele estar lá. A canção aborda uma relação de interesses mútuos, até que não seja mais interessante.

“Off The Table”, sua segunda parceria com o cantor The Weeknd, é uma balada romântica muito bem articulada. A cantora reflete sobre estar pronta ou não para um novo relacionamento, afinal, ela teve uma série de namorados e todos eles se foram em algum momento. É a melhor faixa deste disco. Soa como a emocionante “Almost Is Never Enough” do seu disco “Yours Truly”.

A faixa “Safety Net”, feat. Ty Dolla $ign, explora o hip-hop e é super gostosinha de ouvir. Não é segredo para ninguém que a cantora tem ansiedade, agravada pelos eventos trágicos de sua vida, então é muito complicado para que Ariana se sinta segura com alguém, então ela reflete sobre se jogar de cabeça no amor novamente.

“My Hair” é uma canção bem intimista, com influências do Smooth Jazz e do Blues. A letra fala sobre Ariana se sentir tão intima de seu namorado ao ponto de deixar ele tocar em seu cabelo. Lembrando que ela tem muito ciúmes de seus cabelos, uma vez que sua raiz foi danificada coma tintura que fora usada nos tempos do seriado “Victorious”.

“Positions” é o carro chefe do álbum, um Hip-hop bem leve com uma pegada de Blues. Ariana canta sobre se desdobrar para fazer seu relacionamento dar certo. Ela expõe algumas das suas intimidades com seu parceiro, levando a palavra “posições” ao pé da letra.

O álbum é encerrado com “POV”, outra grande canção do disco, amada por seus fãs. A música fala a respeito da confiança que Ariana deposita em seu amante e como ela espera isso em troca, ainda que tenha cometido erros no passado. É uma balada romântica muito intimista.

Mais uma vez podemos perceber a grande inspiração que Ariana Grande tem na Victoria Monet, uma vez que seu disco soa bem similar com o que a cantora trouxe em seus últimos EP’s, inovando talvez na adição do conjunto de cordas, que foi o grande diferencial da obra.

“Positions” soa como uma continuação mais confessional de seu álbum “Sweetener” de 2018. Aqui existem músicas com teor pessoal que casam perfeitamente com os assuntos debatidos em seu quarto álbum, obviamente se excluirmos as canções que falam exclusivamente sobre sexualidade aflorada.

Ariana expõe muitas inseguranças ao decorrer das faixas e cobre todas elas com letras ácidas sobre sexo, mas existem muitas mágoas, muitos pensamentos conturbados dentro da cabeça da nossa canceriana favorita. No geral, é um álbum muito bom, mas algumas letras não combinam com seus instrumentais.

7,9/10 – Nota.

Ouça na íntegra:

3 comentários sobre “Positions: Ariana Grande entrega vocais, sensualidade e bastante sentimentalismo

  1. Esse álbum virou um dos meus favoritos desde o lançamento, e não digo isso por ser fã, mas sim porque em “positions” (álbum) vemos uma Ariana de verdade. Meus ouvidos de fã se adequam mais aos álbuns mais melódicos e suaves da Ariana, como o “yours truly” e principalmente o “sweetener” (o meu favorito dela). Por isso, de cara, já amei o “positions”. Concordei com você quando escreveu que algumas letras não combinam com seus instrumentais, contudo, esse continua sendo um ótimo álbum, no meu top, fica em 3. Acho que quem está acostumado com as “farofas” da Ariana, com certeza não curtira esse trabalho dela, mas acho que todo mundo deveria dar uma chance a ele, não iram se arrepender.

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