The Album: Blackpink ganha o público jovem com canções chicletes

Após 4 anos de carreira, com cerca de 5 projetos lançados, e nenhum debut (??), o grupo feminino sul-coreano, Blackpink, finalmente lançou seu primeiro álbum em estúdio – após muitos momentos de turbulência e negociando com a sua gravadora. Tudo começou em 14 de junho de 2020, quando saíram os primeiros teasers do single “How You Like That”, faixa que foi a primeira a ser trabalhada na divulgação do disco.

Lançado em 2 de Outubro de 2020, durante a quarentena, “The Album” é um disco singelo com apenas 8 faixas, quase um EP. É comum que obras com poucas músicas sejam trabalhadas como um álbum, assim como podemos perceber no caso de “Kwon Ji Yong”, álbum de G Dragon. “The Album” foi lançado com os selos YG Entertainment e Interscope.

Ainda que sejam pouquíssimas músicas, “The Album” vendeu como água e alcançou a marca de 800 mil cópias comercializadas em apenas uma semana de lançamento. É perceptível o quanto as garotas são amadas por seus fãs e pelo público simpatizante com a cultura pop coreana.

São cerca de 8 produtores no álbum, o que explica a versatilidade das músicas, e mais de 15 compositores, contando com a pouca participação das integrantes. É uma obra predominantemente pop com boa influência do Hip-Hop e uma pincelada de EDM. As canções alcançam notas bem agudas, o que chama atenção principalmente do público infantil.

Os refrãos mais chamativos e explosivos estão presentes nas faixas mais consumidas, não por acaso o lead-single “How You Like That” e “Lovesick Girls”, e menos presente em “Pretty Savage”, “Crazy Over You” e “Love to Hate Me”.

Album review: “THE ALBUM” by BLACKPINK | University News

O K-Pop funciona de uma forma engraçada, são canções com o intuito de divertir os ouvintes e fazê-los dançar – o TikTok é a rede social que mais divulga o trabalho das meninas, as mini coreografias são um sucesso – o que explica o maior esforço na produção, logo as letras não carregam grandes significados, mas ainda sim passam boas mensagens para os fãs.

O disco é aberto com o lead “How You Like That”, faixa que carrega notas graves profundos e batidas contagiantes, que contrastam com os vocais das cantoras. A letra é simples, mas carrega um grande significado ao falar sobre bullying e inveja. É meio que um “fale bem, ou fale mal, mas fale de mim”. É difícil não cantar o refrão junto, bem chiclete.

Seguindo a tracklist chegamos em “Ice Cream”, em parceria com Selena Gomez, uma faixa bem mediana com muito tratamento vocal e um instrumental repetitivo e notas bem altas. Na letra as meninas, junto de Selena, fazem algumas alusões ao momento sexual, com metáforas sexys.

“Pretty Savage” consegue superar a faixa anterior com sua letra ainda mais mediana. Na composição podemos notar os nomes Vince (KOR)LØRENTeddy Park & Danny Chung, quatro pessoas, sendo 3 homens e uma mulher, que escreveram versos do tipo “Nasci magra, vadia, não engordo nem se eu tentar“. Decepcionante, mas o assovio do refrão é legal.

“Bet You Wanna” recupera o feeling do álbum. A canção é em colaboração com a Cardi B e traz uma sonoridade bem Pop, estilo que tocava entre 2013 e 2014. É uma canção divertida, contagiante e bem otimista, que fala sobre um momento bom de amor com alguém, sobre viajar, uma das melhores do disco.

Depois vem “Lovesick Girls”, outra faixa muito gostosa de ouvir, que lembra bastante o estilo Pop britânico de Little Mix. A canção é bem agitada, super contagiante e bem alto astral, além de ser dançante e desafiando a criatividade do ouvinte à criar uma coreografia bem legal para postar no TikTok. A letra é emocionante e fala sobre acreditar no amor mesmo em situações difíceis.

“Crazy Over You” tem uma sonoridade parecida com a de “Pretty Savage”, a ponte para o refrão é momento mais alto da faixa. É bem dançante também e conta com influências do Hip-Hop do final dos anos 90 e do Trap. A faixa em si lembra um pouco “Dark Horse” de Katy Perry ao tocar no tema de empoderamento feminino, do tipo “eu quero, eu consigo”.

Em “Love To Hate Me” as meninas estão mais ácidas que o normal, isso porque é uma faixa direcionada aos seus haters que “amam odiá-las”. É uma música realmente muito boa que lembra as produções de Ariana Grande e Victoria Monét.

A faixa que encerra o álbum é “You Never Know”, uma balada um tanto emocionante sobre como a fama pode ser corrosiva em alguns momentos. As cantoras falam sobre a pressão da mídia e dos fãs em serem perfeitas e estarem felizes o tempo todo. Se tratando de um grupo coreano, conseguimos entender totalmente a mensagem por trás, uma vez que a indústria musical da Coreia do Sul é tão complicada.

“The Album” é debut até que aceitável para um grupo tão grande como Blackpink. Não é o que esperávamos, mas entrega ótimos hits, ainda que alguns sejam superestimados. O disco ganha os fãs pelos smash hits, mas não pela emoção, já que não há composições tão profundas na obra, mas uma coisa é certa: Elas deram o nome!

6,9/10 – Nota

Ouça na íntegra:

3 comentários sobre “The Album: Blackpink ganha o público jovem com canções chicletes

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